sábado, 14 de julho de 2012

Quebrar

Zdzislaw Beksinski


























QUEBRAR

        Para Carlito Azevedo

 
As ondas quebram
a crista sempre sob 
o mesmo impulso
com o qual cortam
os próprios pulsos
mil ordinárias ondinas atlânticas
tingindo de pânico e púrpura
as rendas de espuma
dos vestidos de ruínas oceânicas.

Quebrar
os ossos do amor naufragado,
as vértebras que sustentaram
abraços em navios invisíveis,
o perfume perdido dos bailes
que puxam passos e beijos para o fundo.

E quebrados permanecemos
desconjuntadas palavras,
verbos sem conjugação,
declinações impossíveis.

Quando os afetos são descartáveis
e o que se encaixa nas fraturas
é pura dissonância, dissipação,
quebramos como brinquedos inúteis
destruídos pelo destino
só para ver como desmontamos.


Um comentário:

  1. [palavra,

    a forma do quebra mar,
    peito adentro, verso
    aguardando o fogo lento naufragado.]

    belíssima homenagem a Carlito,

    um imenso abraço,

    Leonardo B.

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