domingo, 14 de outubro de 2012

Ilha da rua deserta

A caravela, Salvador Dalí








































Quarenta graus ao norte
de latitude desconhecida
localiza-se inóspita ilha
perpendicular
à morte.

Meio limbo
meio purgatório
assemelha-se ao pátio de presídio
onde condenados esperam
as grades do destino.

Alguns estudiosos asseveram
tratar-se da sala de espera
que antecede à decisão obscura
de imperatriz noturna
em imperial câmara condenatória.

Eu que nela vivo
o naufrágio da minha Dinamene
pouco me importo.
Se já alcancei as suas praias desertas
foi porque eu mesmo fechei todas as portas.



Um comentário:

  1. Que poema! Um dos melhores seus, que eu já tenha lido! Encontrei-me nessa "sala de espera que antecede à decisão obscura de imperatriz noturna"...
    Abraço, Célia.

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