quinta-feira, 29 de novembro de 2012

ποίησις

La siesta, de 1925, tela de Joan Miró
























A poesia não existe.
Existe
a exaustão
de procurá-la
às cegas,
a esmo,
garimpo de miragens.

Todo poema
é escombros;
as palavras,
pegadas,
marcas na terra
do nada,
peso no piso
de páginas.

A poesia
veste-se de esquivas,
mas com suas rendas de rasuras fugidias,
suas miçangas de espuma
transforma terrenos baldios, lacunas e reticências
em cidades.

A poesia não existe.
Nada segura
a aventura de inventá-la.


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