sábado, 29 de dezembro de 2012

Amor ao sabor das ondas


















Quero uma mulher comum
dessas bem vadias e soltas
que cospem conhaque na Lua
enquanto limpam nos vestidos
o catarro das mãos
para mais levemente
sacarem dos seios cigarros
tão vagabundos e suspeitos
quanto os amantes enfileirados
na porta do edifício de conjugados.

Com ela eu poderia talvez
novas receitas de fim de mundo,
após boletins de ocorrência
e  fianças devidamente pagas.

Preciso do comum dessa muito mulher
de sua peruca verde melancólica
alagada de suor alugado,
de seus dois abortos adolescentes,
de sua tática de boa noite cinderela,
de sua lista de balões apagados.

Quero a falsa malandra
a vagaba que só se fode
boca de siri na boca do lixo
vendedora de Avon e de Cristina
sem soutien sem rumo
sem calcinha sem um dos seios

- apenas cinco minutos na areia. 


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