terça-feira, 31 de julho de 2012

Ida



É sem direção
o rumor dos sonhos.

Vou para a luz
atrás de árvores gigantes.

Nuvens me dizem
obscenidades,
pedras abrem-se ocas;
expondo as vísceras 
de todas as ruínas e tempestades.

É a perversão das vozes
demoníacas
sob os galhos de árvores mortas
que espalha despojos pelas sendas:
uma trilha de estrelas inúteis
penduradas na poeira dos tempos.

Vou para a escuridão
absoluta
no interior de qualquer fim,
na fronteira onde tudo se acaba
e a vida cabe inteira
em rasa e estreita vala.

segunda-feira, 30 de julho de 2012

DO QUE SE FOI MAS NÃO SAI DE MIM




























Resiliência
mais que tudo
quando passam cães fantasmas
a entoar árias dissonantes
em esponjas tintas de sangue.

Silhuetas de manequins
simulam adeus em salas vazias,
o ritmo pulsante do amor
sobre tacos soltos e tapetes puídos
encorpa um hálito de sombras,
talvez vento infiltrado em venezianas
velhas.

Uma alma inocente
aperta a campainha da tarde.
Estamos em surto,
ausentes de nós por transbordamento,
excessivos e impotentes.
Estamos em curto
abaixo dos pneus e das faixas de trânsito
ou acima da fiação aérea
que toda distância
está exatamente a um milímetro da morte.

Resiliência?
Truque barato,
disfarce autopiedoso,
manual de enganos.
Perda não se supera,
incicatrizável marca amorosa
supura a pele
como um câncer da memória.


terça-feira, 24 de julho de 2012

A taça


O bebedor de absinto, Pablo Picasso




















  



A TAÇA

Acaso haverá
ou destino
nessa taça com a qual brindamos
todas as formas de desatino?

O que nela se esvazia
somos nós vazando
matéria e energia?

Ou tudo é passagem secreta
a dimensões inéditas
onde nos dispersamos?

É grave ação da gravidade,
submersa gramática de pecados
ou música incandescente,
o som das sílabas
espalhadas em cacos pelo chão?

domingo, 22 de julho de 2012

A Oficina, de Luciana Viégas




Luciana Viégas


Luciana Viégas é professora de língua portuguesa do Colégio Pedro II e doutoranda em Literatura Brasileira na UFRJ. Além da atividade docente, vem trabalhando há algum tempo na divulgação de obras de grande relevância para a literatura. Traduziu O leitor comum, de Virgínia Woolf (2007) e O tempero da vida e outros ensaios, de G. K. Chesterton (2010), além de ter organizado os volumes A leitora e seus personagens e Escritos da maturidade (2005, 2ª. ed.), ambos reunindo textos de Lúcia Miguel Pereira. Todos os seus livros foram lançados pela Editora Graphia, que acaba de publicar o seu romance de estreia: A oficina.
Cruzamento e dispersão de duas famílias - uma de Recife e outra de origem alemã, a narrativa faz de uma oficina em Laranjeiras, montada pelos alemães, o núcleo memorialístico com o qual a trama tem início e se fecha no capítulo 43. Entre motores a vida passa com suas idas e vindas, sem qualquer espetacularização, sem excessos. O narrador parece nos dizer que uma estrutura tão complexa como a existência  não precisa de grandes gestos ou de acontecimentos extraordinários. O que ocorre em todos os trajetos já é suficiente para instalar espanto e precariedade.
Há um ritmo dotado de certa agilidade nos capítulos curtos, nos quais se misturam planos diversos: Recife e oficina, presente e passado. A narrativa só progressivamente desfaz a opacidade inicial, limpando os perfis indefinidos dos personagens à medida que se avança na leitura. Não há uma disposição linear dos fatos, deparamo-nos com uma rica teia que busca captar um tempo acelerado com instrumentos que se sabe fadados ao não cumprimento de fixações e à consequente armação de qualquer estabilidade. O tempo é o verdadeiro protagonista do romance.
As referências a inúmeros autores e faits divers (veja-se o capítulo 40) balizam de historicidade os acontecimentos sem historiografá-los, não são testemunhas da vida que passou, mas a experiência que se presentifica na pele temporal das personagens O narrador consegue em alguns momentos acender uma linguagem de leveza poética capaz de formar um contraste com o tom irônico que incide sobre diversas passagens.
Carlos Pena Filho, João Cabral de Melo Neto, Joaquim Cardoso, Jovem Guarda, Diretas Já, Copa do Mundo, Gôngora, citações bíblicas, Anna Magnani (referência à atriz italiana Anna Magnani, do filme "Roma, Cidade Aberta", comparada por Pedro à Tícia, filha do alemão dono da oficina), crônicas de Antônio Maria, as de Rubem Braga nas páginas de O Cruzeiro, corridas de automóveis pioneiras no Rio de Janeiro, os textos de Sérgio Porto no Última Hora, Nat King Cole, Sinatra, Getúlio Vargas, Recife e Laranjeiras, há um intenso perpassar de lembranças, processo construído talvez com excesso descritivo, como se houvesse uma urgência em se livrar de tanta coisa presa na memória.
A autora, em alguns momentos, tira bom efeito de recursos metalinguísticos. Veja-se, por exemplo, o início do capítulo 25: “O correio eletrônico, diariamente, posta brindes do Aulete. São verbetes descontextualizados, que aparecem na linha ao lado do remetente. O primeiro impulso, nas primeiras correspondências, é de apagá-los. Aos poucos, no entanto, conforme se vai percebendo que podem ser termos regionais tornados engraçados diante do falar hegemônico do sudeste, ou palavras retiradas do jargão universitário que usadas em ambiente novo se esvaziam de certa sisudez, a curiosidade obriga a dar uma parada e, se não se consegue ler a definição no momento, deixa-se a mensagem esquecida por um tempo até que o verbete seja enfim lido e mandado para a lixeira. Ontem me chegou o seguinte: alamoa: s. f., personagem lendária, Alamoa, galega, lourota, branca azeda, nariz torto”. Essa definição serve para a  inserir uma estrutura paródica sobre a narrativa mítica em que o lendário configura-se como elemento prosaico, esvaziado de dimensões extraordinárias. Termina a passagem com uma quebra radical do recorte mítico, abrindo-se para o cenário de um comercial.
Ainda vale a pena observar também o expressivo efeito obtido pela engenhosa narrativa epistolar que constitui o capítulo 23. Os textos lacônicos dos bilhetes e das cartas, associados às informações parentéticas, primam por expor a tensão oculta nas palavras.    
Um técnica quase fractal exibe a realidade caleidoscópica da memória. Quase porque nunca repete a mesma estrutura. Cada capítulo modifica o universo, apostando no antilinear e na memória como o processo de formação do mapa de ilhas vividas em ambientes e épocas distintas. A imagem reiterada do “piso de lajotas de cerâmica vermelha com bordas arredondadas” parece nos remeter ao texto construído como remontagem, um discurso em luta contra a força centrífuga do tempo que só na escrita, essa ação de rejuntamento, consegue o mínimo de coesão.
Freud apontou para o fato de a memória implicar tanto a ausência quanto a presença, ambas representadas no mesmo gesto: a presença de uma ausência. Embora constituída num determinado percurso, a memória nunca é a repetição do mesmo, sempre flutua, reconfigura-se, condenada a reinvenção constante de seu corpo discursivo. Assim, o passado, se volta através da falta, isto é, através da impossibilidade do seu resgate, permanece como lacuna. A memória é a invenção do passado como legibilidade, por isso a falta é matriz da ficcionalidade, do relato para inventar a memória, esse tempo sem passado.
Após a leitura de A oficina esbarramos em velhas questões. Que filtros atuam na depuração da memória a ponto de transformá-la em ficção? Lugares, pessoas, objetos, situações existenciais, anotações do precário ou inscrições que buscam ir além do horizonte do provisório - o que busca na realidade o narrador: lembrar ou esquecer? Provavelmente não haja nenhuma resposta. O narrador é aquele que fala de fora de qualquer experiência, por isso tudo o que diz é ficção e toda ficção é impura, ou seja, um terreno discursivo ilimitado. Isso é mais ou menos o que escreveu, com maior propriedade, Beatriz Sarlo (sobre outro contexto, o das narrativas provocadas por ditaduras):
“A literatura, é claro, não dissolve todos os problemas colocados, nem pode explicá-los, mas nela um narrador sempre pensa de fora da experiência, como se os humanos pudessem se apoderar do pesadelo, e não apenas sofrê-lo.”
Luciana Viégas, em sua primeira narrativa, já se revela possuída de febre ficcional. Isso é garantia de novas páginas de alta temperatura no horizonte.


Título: A oficina.
Autora: Luciana Viégas.
Editora: Graphia.
Páginas: 154. 
Ano: 2012
Preço:  R$ 40,00
Preço: 

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Poema de Anamaria Mayol






 































DELETREAR



                Anamaria Mayol

 

Deletreo
el nombre que me nombra

siento crujir el cuerpo
desde la infancia

deletreo
la palabra
útero
mitad costado
desencuentro

deletreo
identidad
esperma
mano izquierda
abandono

rastro en el vuelo
de los pájaros

signos gestos
que han de parir
para nacer la muerte

deletreo
tristeza
sobre las líneas de las manos

dibujo asimétricas letras

llevan los ojos
que parieron mis ojos

cuando aprendí
a deletrear
ausencia

 


SOLETRAR 

            Tradução  José Antônio Cavalcanti

Soletrar
o nome que me nomina

sinto o corpo tremer
desde a infância

soletro
a palavra
útero
metade costado
desencontro

soletro
identidade
esperma
mão esquerda
abandono

vestígio do voo
dos pássaros

signos gestos
que hão de parir
para que a morte nasça

soletro
tristeza
nas linhas das mãos

desenho letras assimétricas

levam os olhos
que pariram os meus olhos

quando aprendi
a soletrar
ausência

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Inelutável



























INELUTÁVEL

 
Vou atravessar,
mas não agora.

Vou esperar

Hermes passar
com o caduceu,
o chapéu de Aidoneus,
sandálias de mirtilo
e uma sacola de ossos
com a inscrição made in USA.

Vim ver o Hades,
volto mais tarde.

Preciso apenas de um pé-sujo,
mesinhas de mármore,
meia dúzia de cervejas,
copo lavado em mágoas
e um samba atravessado
pelos anéis dos meus anos de ouro;
não preciso de nenhuma verdade.

Vou atravessar,
mas não agora.


Revista Arraia PajéurBR + Contologia & Poemantologia dos Novíssimos Autores do Portal Cronopios


2ª FESTA DE LANÇAMENTO EM SÃO PAULO

Revista Arraia PajéurBR + Contologia & Poemantologia dos Novíssimos Autores do Portal Cronopios


- Entrevista com o escritor e editor Carlos Emílio C. Lima.


- Recital com os poetas e ficcionistas das antologias cronopianas.


Sexta-feira, dia 20 de julho, às 19h30

Local: Casa das Rosa Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura

terça-feira, 17 de julho de 2012




















Um texto de intradução linguístico-anarcopoético-ideológica (análise psicótica de vocabulário neocolonizado)


Mainstream

Em tradução mal passada:
padronização do pensamento,
vaquinha de presépio,
Maria vai com as outras,
tecnozumbido,
obediência à onda,
massa de manobra
ou manada sob o rolo compressor
- cabeça na privada.

 
Origem
 

Sala de think tank,
ou seja,
aquário de pensamentos
alugados
à vista ou a prazo.
por peixes especializados
em expelir expertise em palavras.
Usinas sem ideias:
gêmeas de ongs-gangues .

 
Resultado

Uniformicocos mentalis
Nome vulgar: merda no miolo.

sábado, 14 de julho de 2012

Quebrar

Zdzislaw Beksinski


























QUEBRAR

        Para Carlito Azevedo

 
As ondas quebram
a crista sempre sob 
o mesmo impulso
com o qual cortam
os próprios pulsos
mil ordinárias ondinas atlânticas
tingindo de pânico e púrpura
as rendas de espuma
dos vestidos de ruínas oceânicas.

Quebrar
os ossos do amor naufragado,
as vértebras que sustentaram
abraços em navios invisíveis,
o perfume perdido dos bailes
que puxam passos e beijos para o fundo.

E quebrados permanecemos
desconjuntadas palavras,
verbos sem conjugação,
declinações impossíveis.

Quando os afetos são descartáveis
e o que se encaixa nas fraturas
é pura dissonância, dissipação,
quebramos como brinquedos inúteis
destruídos pelo destino
só para ver como desmontamos.


sábado, 7 de julho de 2012

A alma no aberto






















O bóson de Higgs
se dobra e desdobra
para me fazer um outro
mas não sou Rimbaud
não sou eu nem esse
nem aquele nem quero
não ser um ser qualquer.
Nada ao lado,
vazio ao centro,
é sempre o mesmo sopro,
o perfil torto,
o incompleto rosto
de um louco
sem amor
sem matéria
sem dentro.

A última partícula
partirá rumo ao esquecimento.

Como no amor,
o que se amplia na física*
é a fissura dos limites.

* entenda-se por física
as turbulências de seus olhos verde-suicida.


sexta-feira, 6 de julho de 2012

Linha 298 – Castelo-Acari






















Linha 298 – Castelo-Acari


Óculos no ônibus 
desorbitado
no ponto onde descem
lágrimas e passageiros.

O motorista com cara de gangster.
Na freada brusca
derrapo qualquer possibilidade.
Inverossímil  viagem
a vida.

Meus gestos na neblina,
na cega calmaria morna
do piloto automático;
em romaria â mina morta
onde o amor vale menos
que um bilhete de metrô.

O motorista me ameaça
palavrões e pistola
me jogam para fora:
já não caibo mais em nenhuma viagem.

Longe

Zdzislaw Beksinski
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Longe:
advérbio
de distância variável
flutua
a memória magoada
ora plena
ora pura opacidade

Longe:
advérbio de adversidade
sintaxe intoxicada
pelo gás carbônico
de ruas submersas
despovoadas
de sinais e chamados

Longe:
advérbio de perda
alta quilometragem
fora dos limites
pneus descalibrados
carteiras vencidas
paisagem mofada
onde pastam placas
sinalizando círculos
(ausência de passagem)

Revista Arraia PajeúBR nº 4




Editor: Carlos Emílio C. Lima

Organização das antologias: Carlos Emílio C. Lima, Cláudio Portella e Pipol.

Projeto gráfico: Augusto Oliviera e Carlos Emílio C. Lima.


1) Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos na Contologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
TERE TAVARES, MAURO PAZ, VALTER FERRAZ,VERA HELENA ROSSI, RAFAEL SPERLING, ELEONORA DUCERISIER, PEDRO COSTA REIS, JOSÉ ANTÔNIO CAVALCANTI, MÁRCIA BARBIERI, LEANDRO MAYFAIR, LETÍCIA PALMEIRA, WILAME PRADO, FILIPE JARDIM,WALDEMIR MARQUES, EMÍLIA BARBÉS, UDO ...BAINGO, AFONSO JUNIOR FERREIRA DE LIMA, ALEX SENS FUZIY, DOUGLAS EVANGELISTA, ALEKSANDRO COSTA, DANIEL LOPES, LARISSA MARQUES, AMANDA VOX, CAMILA FORTUNATO, LUAN MAITAN, IVAN GUARDIA, WALTER SOLON, IGOR FARIAS, DANIEL MATOS, TAMARA COSTA, MIRTES LEAL, ÁLVARO DIAS CUBA, RONIE VON ROSA MARTINS, AIRTON UCHOA NETO, NINA RIZZI, JULIANA FRANK, ANDRÉIA DONADON LEAL, SUELI MAIA, MILENA MARTINS, PAULO MOHYLOVSKI, HUGO CREMA, EDUARDO SABINO, TIAGO BASÍLIO DONOSO, POTYGUARA ALENCAR, ANTÔNIO ALVES JUNIOR, GUILHERME COBELO, EDUARDO SIGRIST, MARCIO G. PERFETTO, JANA LAUXEN, BRUNA G. GALVÃO, SHEYLA SMANIOTO MACEDO, ADRIANO DO VALE, PEDRO COSTA, DANIEL FERREIRA, LUCINEIDE SOUTO, JONATAN DOLL, EDUARDO ESCARPINELI, GLAUCO LEANDRO, EDSON COELHO.

2) Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos na Poemantologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
BRUNO MOREIRA, EUNICE BOREAL, TOMAZ AMORIM IZABEL, ANDERSON PETRONI, MARCOS VINICIUS ALMEIDA, RENATA DE ANDRADE, ÂNGELA CASTELO BRANCO, NATHALIA RECH, OTAVIO RANZANI, ERYCK MAGALHÃES, VANESSA CAMPOS ROCHA, MÁRCIO ARAUJO, JOÃO NICODEMOS, NYDIA BONETTI, CLARICE LINDEN, WENDER MONTENEGRO, RAPHAEL BARROS ALVES, EMANUEL RÉGIS, ATHOS GUIOU, TALLES MACHADO HORTA, LUCAS DOS PASSOS, MARCELI ANDRESA BECKER, MARCELO DONATTI, FLÁVIA IRIARTE, CAROLINA CAETANO, WILSON TORRES NANINI, CHICO PASCOAL, GABRIELA MARCONDES, ISAÍAS FARIA, DARLAN M.CUNHA, GERSON CHAGAS, GRUPO POENOCINE: ARIANE ALVES DOS SANTOS, JONAS PEREIRA SANTOS, LUIS FELIPE DE LUCENA JUNIOR, MICHELL FERREIRA, PAULO SPOSATI ORTIZ E SIMONE SPILLBORGHS; MURYEL DE ZOPPA, ANA F., LÉO MACKELLENE, IVALDO RIBEIRO FILHO, DEMETRIOS GALVÃO, YLO BARROSO, MARCELO BITTENCOURT, RODRIGO VARGAS, REINALDO PIMENTA, CHICO SOMBRA, LUIZ VALADARES, KILITO TRINDADE, RENATA FLÁVIA, TITO DE ANDRÉA, CARLOS ALBERTO, TIAGO ALVES, ALUÍSIO MARTINS, AUGUSTO DE GUIMARAENS CAVALCANTI.


Lançamento em São Paulo, dia 17 de julho, às 19h30
na sede da FUNARTE em São Paulo
Alameda Nothmann, Nº 1058 – Centro. Próximo às estações Santa Cecília e Marechal Deodoro do Metrô.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Elo perdido


m  ã  e
m  a  r  c  i  a  l    q  u  a  s  e
p  a  i
m  ã  e    a  m  e  a  ç  a
f  i  l  h  o
a  m  a  r  g  a    f  a  l  h  a
m  ã  e
c a s t i g o    &    c  á  r  c  e  r  e
f  i  l  h  o
f  r  u  t  o    b  a  n  d  a  l  h  o
m  ã  e
c  o  c  a  í  n  a    &    c  a  c  h  a  ç  a
f  i  l  h  o
f  u  t  u  r  o    f  e  r  i  d  o
m  ã  e
f  i  l  h  o
e  l  o    p  e  r  d  i  d  o

                                               (1977)