segunda-feira, 8 de abril de 2013

Stopway

Joseph Brodsky





















Do meu loft
no SoHo
ao cemitério mais próximo
avança o xadrez
em meu casaco vermelho.

Desço a Wooster Street
onde deixarei duas mandalas
de cartuchos colhidos
nas ruas do morro do Alemão
na X-Power Gallery.

Atravesso a Broome Street
para alcançar a quentura
do mezanino do Milux Café.

Vou a pé para o sul.
Por qualquer razão
me vem à mente
“A Polar Explorer”,
poema de outro Zé,
Joseph Brosdky:

"All the huskies are eaten. There is no space
left in the diary. And the beads of quick
words scatter over his spouse's sepia-shaded face
adding the date in question like a mole to her lovely cheek."

Não sei de husky
com caninos infiltrados nos paninis recém-digeridos,
guardo, no entanto, a face seca e sépia
de minha esposa embrulhada em sombras
dentro de carteira de couro.

Esqueci o final do pequeno Brodsky.
Coloco o capuz nos cabelos brancos.
Já não posso prosseguir no trajeto,
sei que tudo termina em gangrena na coxa
ancorada na última latitude antes de zero.

(Preciso visitar
o cemitério de Isola di San Michele, em Veneza.)



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