quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Décima-primeira incursão à carne



Na sala de comando do abrigo subterrâneo, câmeras registram um corpo sendo despojado de passado púrpura e império, as vestes no chão, tragadas por ratos.  É preciso entrar nu em palavras gravadas para exaustão e tédio; é preciso enganar leitores de digitais, íris e quimeras; é preciso camuflar identidade, alma e vingança; guardar fôlego para atravessar o corredor polonês onde íncubos e súcubos distribuem instruções para performances de alto nível e questionários de riscos. Chega-se, por exaustão e aos pedaços, ao ponto extremo do movimento, após o qual tudo é indiscernibilidade e regurgitação. A face teriomórfica altera o perfil da sombra nos ladrilhos; cornos bipartidos são projetados no azul e branco, orelhas cônicas escondem líquido alaranjado na penumbra, não se veem as fendas da cabeça intumescida de protuberâncias, as bactérias pulsando no centro. Vamos, sim, exatamente aonde nos querem domesticados, strippers infláveis, vamos, no entanto, para danificar todos os circuitos, borrar todas as imagens, queimar todos os fios, desmontar todos as palavras de fibra de vidro e silício. Vamos, sim, morrer com a lança erguida, reluzente, humano hissope cravado em vulva carnívora. Sim, pai, eles sabem muito bem o que fazem, ensinaste muito bem a crueldade.


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