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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Hannah Arendt




Assisti ao filme Hannah Arendt. Lembrei-me de minha mãe negra espancada até à morte com fio de arame farpado no morro do Salgueiro. Não acredito que o horror possua rosto, natureza ou conteúdo, só vítimas. Me assusto: localizamos seus corpos, mas quanto de horror não nos escapa; suas irrealizações, suas falhas, seus planos frustrados, seus limites operacionais, lógicos, humanos? Sobre o sequestro de Adolf Eichmann, o prato sobre o qual se degusta a vingança pelo holocausto, considero que os aliados triunfantes, com mais êxito, sequestraram métodos, ideias, organização e mentes da máquina de purificação nazista, incorporaram-nos a uma estranha noção de democracia que permite exterminar metade do planeta a fim de criar o melhor dos mundos para os ricos e poderosos, os novos arianos. No metrô, de volta pra casa, fiquei pensando nos jovens índios que se matam em plena invisibilidade. O mal, não obstante, permanece intocável: milhões de judeus exterminados, milhões de negros exterminados, milhões de índios exterminados.  Quantos milhões a mais?