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| Adriana Varejão |
José Antônio Cavalcanti
Escrever é viver assim:
assim linha por linha,
assim letra por letra.
Escrever não possui receita.
Os códigos não se transmitem nessa esfera.
Cada um que descubra os olhos de ver.
Cada um que derrube o seu silêncio
para que as mãos não se calem
e se calando não se condenem.
Escrever não é uma ciência exata.
As regras não cabem no corpo da criação.
Os tímpanos da normalidade são surdos,
a pederastia do sucesso é desnecessária,
resta apenas a pureza de qualquer poesia.
O que há de sangue & insônia num poema,
o que há de amargura & esperança num poema,
o que há de imensamente humano num poema
é o que salva o poema do desprezo do tempo.
Escrever pode ser loucura,
mas o ódio se redime através da pena,
o desespero se alivia num verso,
e a alma vazia absorve como esponja
a beleza e a plenitude de um poema.
O poema pode não mudar o mundo,
mas ilumina o caminho do homem.






