sexta-feira, 6 de julho de 2012

Revista Arraia PajeúBR nº 4




Editor: Carlos Emílio C. Lima

Organização das antologias: Carlos Emílio C. Lima, Cláudio Portella e Pipol.

Projeto gráfico: Augusto Oliviera e Carlos Emílio C. Lima.


1) Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos na Contologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
TERE TAVARES, MAURO PAZ, VALTER FERRAZ,VERA HELENA ROSSI, RAFAEL SPERLING, ELEONORA DUCERISIER, PEDRO COSTA REIS, JOSÉ ANTÔNIO CAVALCANTI, MÁRCIA BARBIERI, LEANDRO MAYFAIR, LETÍCIA PALMEIRA, WILAME PRADO, FILIPE JARDIM,WALDEMIR MARQUES, EMÍLIA BARBÉS, UDO ...BAINGO, AFONSO JUNIOR FERREIRA DE LIMA, ALEX SENS FUZIY, DOUGLAS EVANGELISTA, ALEKSANDRO COSTA, DANIEL LOPES, LARISSA MARQUES, AMANDA VOX, CAMILA FORTUNATO, LUAN MAITAN, IVAN GUARDIA, WALTER SOLON, IGOR FARIAS, DANIEL MATOS, TAMARA COSTA, MIRTES LEAL, ÁLVARO DIAS CUBA, RONIE VON ROSA MARTINS, AIRTON UCHOA NETO, NINA RIZZI, JULIANA FRANK, ANDRÉIA DONADON LEAL, SUELI MAIA, MILENA MARTINS, PAULO MOHYLOVSKI, HUGO CREMA, EDUARDO SABINO, TIAGO BASÍLIO DONOSO, POTYGUARA ALENCAR, ANTÔNIO ALVES JUNIOR, GUILHERME COBELO, EDUARDO SIGRIST, MARCIO G. PERFETTO, JANA LAUXEN, BRUNA G. GALVÃO, SHEYLA SMANIOTO MACEDO, ADRIANO DO VALE, PEDRO COSTA, DANIEL FERREIRA, LUCINEIDE SOUTO, JONATAN DOLL, EDUARDO ESCARPINELI, GLAUCO LEANDRO, EDSON COELHO.

2) Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos na Poemantologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
BRUNO MOREIRA, EUNICE BOREAL, TOMAZ AMORIM IZABEL, ANDERSON PETRONI, MARCOS VINICIUS ALMEIDA, RENATA DE ANDRADE, ÂNGELA CASTELO BRANCO, NATHALIA RECH, OTAVIO RANZANI, ERYCK MAGALHÃES, VANESSA CAMPOS ROCHA, MÁRCIO ARAUJO, JOÃO NICODEMOS, NYDIA BONETTI, CLARICE LINDEN, WENDER MONTENEGRO, RAPHAEL BARROS ALVES, EMANUEL RÉGIS, ATHOS GUIOU, TALLES MACHADO HORTA, LUCAS DOS PASSOS, MARCELI ANDRESA BECKER, MARCELO DONATTI, FLÁVIA IRIARTE, CAROLINA CAETANO, WILSON TORRES NANINI, CHICO PASCOAL, GABRIELA MARCONDES, ISAÍAS FARIA, DARLAN M.CUNHA, GERSON CHAGAS, GRUPO POENOCINE: ARIANE ALVES DOS SANTOS, JONAS PEREIRA SANTOS, LUIS FELIPE DE LUCENA JUNIOR, MICHELL FERREIRA, PAULO SPOSATI ORTIZ E SIMONE SPILLBORGHS; MURYEL DE ZOPPA, ANA F., LÉO MACKELLENE, IVALDO RIBEIRO FILHO, DEMETRIOS GALVÃO, YLO BARROSO, MARCELO BITTENCOURT, RODRIGO VARGAS, REINALDO PIMENTA, CHICO SOMBRA, LUIZ VALADARES, KILITO TRINDADE, RENATA FLÁVIA, TITO DE ANDRÉA, CARLOS ALBERTO, TIAGO ALVES, ALUÍSIO MARTINS, AUGUSTO DE GUIMARAENS CAVALCANTI.


Lançamento em São Paulo, dia 17 de julho, às 19h30
na sede da FUNARTE em São Paulo
Alameda Nothmann, Nº 1058 – Centro. Próximo às estações Santa Cecília e Marechal Deodoro do Metrô.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Elo perdido


m  ã  e
m  a  r  c  i  a  l    q  u  a  s  e
p  a  i
m  ã  e    a  m  e  a  ç  a
f  i  l  h  o
a  m  a  r  g  a    f  a  l  h  a
m  ã  e
c a s t i g o    &    c  á  r  c  e  r  e
f  i  l  h  o
f  r  u  t  o    b  a  n  d  a  l  h  o
m  ã  e
c  o  c  a  í  n  a    &    c  a  c  h  a  ç  a
f  i  l  h  o
f  u  t  u  r  o    f  e  r  i  d  o
m  ã  e
f  i  l  h  o
e  l  o    p  e  r  d  i  d  o

                                               (1977)


sábado, 30 de junho de 2012

Prêmio OFF FLIP 2012




Amigos, saiu o resultado do Prêmio OFF FLIP 2012. Não ganhei o prêmio, mas fiquei entre os dez finalistas com o poema "Anjos". Ele será publicado na coletânea organizada pelo Selo OFF FLIP. Em comemoração, republico-o abaixo:

Anjos


                   “O último anjo derramou seu cálice no ar.” – Murilo Mendes


Não o da melancolia de Dürer,
olhos exilados de signos,
exausto de garimpar as sílabas
de um nome nunca revelado.

Não os prosaicos e suspensos
anjos de Chagall
descascando pecados
acima do chão da cozinha.

Muito menos o de Benjamin,
de costas para o futuro
num voo pesado e obscuro.

Sequer aquele caído nas sombras
de Drummond
em torta escrita de tropeços.

Nem a criatura terrível de Rilke
de asas lavadas em ira e arrogância,
escriba e vigia de nossa sangria.

Um anjo também me assombra
só para sangrar-me.
Anjo apóstata e herege,
corrói com suas asas de inseto
caminhos e projetos.
Examina com tédio e desânimo
os índices de pânico e de esperança
depois de devastar minhas reservas.
Intrigante e pérfido,
sussurra-me conselhos obscenos,
pragas,
impropérios.

Mostra-me o seio esquerdo
e me olha envenenado,
mensageiro sem mensagens,
desertor de Deus e do homem.

Em sua última passagem, mãos entrelaçadas
e seu corpo macio colado ao meu,
a dupla inscrição de pecados
nas placas e paredes da cidade.

Kha Lendário do náufrago amoroso


sexta-feira, 29 de junho de 2012

Desaparecidos




 mãe chora seu filho
d s p r c d
  pai chora seu filho
 d s p r c d
 num quartel
 onde foi visto sumido
onde estava há um ano
 sem nunca ter estado
   d s p r c d
 ninguém viu o corpo
que todos viram morto
   num quartel


Poema da década de 70.

MARGEM





Este poema foi publicada na Revista Escrita, acho que em 1976 ou 1977. Reencontrei-o no jornal estudantil Chegou a Hora, publicado pelo DCE-UERJ, em setembro de 1979. Ainda hoje me agrada bastamte.


MARGEM

descarregar os socos reprimidos no vidro
partido
esquinas perdidas na noite irrequieta
a ronda
no escuro por trás dos edifícios
me roda
os círculos de fogo na mente alimentam
versos
incêndios no meu cabelo se alastram
à epiderme
nada se perde tudo se inventa sempre
e quando
não há engano sem reconstrução há crentes
eternizando enigmas sinais e códigos
no tempo
a vida dança na sombra próxima ao poste
a ambulância
ajuda a distância do sonho às minhas veias
além do véu mudo
os terrenos estão cheios de latas e caixas
tudo escuro
repressão no distintivo nas leis na impotência
é tudo um muro
sonhos revoando os dentes de um vampiro
o sangue eterno
o seu suicida e constante derramamento
em defesa
do banquete dos bancos das baionetas dos brutos
não desfaleço
teço a trama cruel dos fogos cruzados nas barricadas
e pontes
broto no ar de fumaça das chaminés das fábricas
chupando
a energia e a coragem dos operários despidos
nos pratos
vazios nas roupas sem bens nem vinténs marginais
das favelas
desço ao ventre de ouro e prata e ateio veneno
às poças d’água
não me importa o pé chutando os meus colhões
nem o cheiro
de urina entrando quente na minha boca
destruída
descarrego tudo o que levo e não me pertence
entrego
o ódio e a muralha de insensatez devolvo aos pares
do reino
crio lutas sangrentas entre criaturas disformes
o embate
entre a chuva que cai e a fumaça ascendendo
dum baseado
estrelado verde rubro sem amarelo azul brinquedo
me encho
os bolsos de drogas poemas canções y revoluções
a lata de lixo
enche-se de leite enquanto mãe-mendiga dorme
mais seus filhos
no chão em que todos pisam e escarram sem distinção
confundindo
os marginais e o chão

BAIXADA FLUMINENSE

Ilustração: Estação de Comendador Soares (antiga Morro Agudo), município de Nova Iguaçu. Morei nesse lugar em 1965.

 
Quatro poemas que saíram na Revista Gandaia, nº4, abril-maio-junho, 1978, editada pelo poeta PACO CAC.


BAIXADA FLUMINENSE I

O corpo é o resto

- o lixo jogado num terreno baldio.


BAIXADA FLUMINENSE II


Chegar tarde é rabo.

O assalto à mão armada
desarma a pressa
e esvazia as panelas.


BAIXADA FLUMINENSE III


A geografia de varizes

forma o mapa de pernas
de mulheres embutidas na terra,
na poeira de esperanças engavetadas.


BAIXADA FLUMINENSE IV


Só quem morou em Morro Agudo

sabe que o morro é muito grave.

SONHO DE FORNO E FOGÃO




Este poema fez parte do livro Sopa & veneno, escrito por mim em 1976, que obteve menção honrosa no Concurso Nacional de Literatura promovida pela revista Escrita.


SONHO DE FORNO E FOGÃO

Maiakóvski surgiu numa noite esplend-rosa
e véio veio me pedir uma nota pruma boquinha
                              porra seu Maiakóvski os sovietes não te pagaram?
                                             já era meia-noite e Maiabrecht não estava
              pois se eu era o frade a benzer putas velhas
entoavam hinos sacros e lambiam o meu saco
         numa apoteose trópico-carnavalesca bem carioca
                                                   pois seu Bertoldo não tenho amigos
                todos se escafederam pelas fendas
                                 quando inventei uma cartilha conhecida

TODO  PODER  AO  FOGO

e pensavam que tivesse instintos anarquistas
                                ora bolas tudo não passava de uma questão culinária
sem as dimensões de numerosas questões
                                                     religiosas militares nordestinas
judaico-palestinas presos políticos menores abandonados
                                                      claro que todo poder ao fogo
é uma receita destinada aos bons gourmants
  na qual se coloca pimenta à vontade
                                              seu Maiakóvski não é que fiquei no Índex
        e os santos padres da Santíssima Inquisição
vieram condenar-me à fogueira
tão raivosos que nem esperaram São João
já falei pra eles mil vezes que não sou católico
puta merda pra que me queimar
                            se o tempero de vocês não combina com a minha carne?

sábado, 23 de junho de 2012

Intolerância



















Um colar de cóleras
em volta de palavras
enunciadas
em modo cinza:
sílabas fantasmas
escandidas como cercas,
celas,
cárceres.

De dedo em riste
apagam
traços,
sonegam
espaços exíguos,
geram
pânico,
súplica,
suplício.

Desertificar a palavra:
lançá-la como estigma
ou gás hediondo
sobre outras vozes
que sequer se juntaram
em um nome.


quinta-feira, 14 de junho de 2012

Turbulência






















Turbulência


A sombra de tuas palavras saturninas
instala
               em meu corpo
o hálito sedicioso
                               de ruínas.

Devolvo à lua áspera
as luminosas lanças do exílio:
instilo
             no âmago do abismo
o vírus da antidiáspora
 - conversão de fuga em fulgor.

domingo, 10 de junho de 2012

Minha série de poemas "Não hai nem kai" foi publicada na edição atual do Portal Cronópios. Agradeço conferirem e divulgarem.

sábado, 9 de junho de 2012

Revista Arraia PajéuBR


Lançamento em São Paulo, no dia 17 de julho, às oito da noite, no espaço da Funarte, da revista Arraia PajéurBR de número 4, editada por Carlos Emílio C. Lima, que tem muitos filhotes em seu bojo, incluindo a contologia e poemantologia na novíssima literatura brasileira contemporânea com autores selecionados  do portal Cronópios. Entre eles fui incluído com dois textos:  Hematoma e Invocabulus.