quarta-feira, 1 de agosto de 2012
A poesia morreu. Juro que sou inocente.
Poema
vencedor da PROMOÇÃO “ O FINAL DOS TEMPOS”,
organizada pelo site BLOGBLUGBLAGUE
Para VC, amor, um poema WC
(com posição etilírico-amorosa)
Troque uma letra de PERDA
Ganhe um quilo de MERDA
Poema
de Umbego egobigo
Parecer do Júri: O poema explora a miséria alheia em proveito impróprio,
isso pode ser verificado pela axiologia coprológica em termos vulpinos da
semiose libidinal dos catavermes imunes. Com os estrogênios telecinéticos o autor
cria um processo paronomástico vibrátil, pleno de niilismo vesânico pós-moderno
e cataléptico autorreferenciado. Notável o efeito do modo injuntivo conjugado a
um jogo em que o par linguagem/medida formula
matrizes de um desequilíbrio concêntrico.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Ida
É sem direção
o rumor dos sonhos.
Vou para a luz
atrás de árvores gigantes.
Nuvens me dizem
obscenidades,
pedras abrem-se ocas;
expondo as vísceras
de todas as ruínas e tempestades.
É a perversão das vozes
demoníacas
sob os galhos de árvores mortas
que espalha despojos pelas sendas:
uma trilha de estrelas inúteis
penduradas na poeira dos tempos.
Vou para a escuridão
absoluta
no interior de qualquer fim,
na fronteira onde tudo se acaba
e a vida cabe inteira
em rasa e estreita vala.
domingo, 22 de julho de 2012
A Oficina, de Luciana Viégas
![]() |
| Luciana Viégas |
Luciana
Viégas é professora de língua portuguesa do Colégio Pedro II e doutoranda em
Literatura Brasileira na UFRJ. Além da atividade docente, vem trabalhando há
algum tempo na divulgação de obras de grande relevância para a literatura.
Traduziu O leitor comum, de Virgínia
Woolf (2007) e O tempero da vida e outros
ensaios, de G. K. Chesterton (2010), além de ter organizado os volumes A leitora e seus personagens e Escritos da maturidade (2005, 2ª. ed.),
ambos reunindo textos de Lúcia Miguel Pereira. Todos os seus livros foram lançados
pela Editora Graphia, que acaba de publicar o seu romance de estreia: A oficina.
Cruzamento
e dispersão de duas famílias - uma de Recife e outra de origem alemã, a narrativa faz de uma oficina em Laranjeiras, montada
pelos alemães, o núcleo memorialístico com o qual a trama tem início e
se fecha no capítulo 43. Entre motores a vida passa com suas idas e vindas, sem
qualquer espetacularização, sem excessos. O narrador parece nos dizer que uma
estrutura tão complexa como a existência
não precisa de grandes gestos ou de acontecimentos extraordinários. O
que ocorre em todos os trajetos já é suficiente para instalar espanto e
precariedade.
Há
um ritmo dotado de certa agilidade nos capítulos curtos, nos quais se misturam
planos diversos: Recife e oficina, presente e passado. A narrativa só
progressivamente desfaz a opacidade inicial, limpando os perfis indefinidos dos
personagens à medida que se avança na leitura. Não há uma disposição linear dos
fatos, deparamo-nos com uma rica teia que busca captar um tempo acelerado com
instrumentos que se sabe fadados ao não cumprimento de fixações e à consequente
armação de qualquer estabilidade. O tempo é o verdadeiro protagonista do
romance.
As
referências a inúmeros autores e faits
divers (veja-se o capítulo 40) balizam de historicidade os acontecimentos sem
historiografá-los, não são testemunhas da vida que passou, mas a experiência
que se presentifica na pele temporal das personagens O narrador consegue em
alguns momentos acender uma linguagem de leveza poética capaz de formar um
contraste com o tom irônico que incide sobre diversas passagens.
Carlos
Pena Filho, João Cabral de Melo Neto, Joaquim Cardoso, Jovem Guarda, Diretas
Já, Copa do Mundo, Gôngora, citações bíblicas, Anna Magnani (referência à atriz italiana Anna Magnani, do
filme "Roma, Cidade Aberta", comparada por Pedro à Tícia, filha do alemão dono da oficina), crônicas de Antônio
Maria, as de Rubem Braga nas páginas de O Cruzeiro, corridas de automóveis
pioneiras no Rio de Janeiro, os textos de Sérgio Porto no Última Hora, Nat King
Cole, Sinatra, Getúlio Vargas, Recife e Laranjeiras, há um intenso perpassar de
lembranças, processo construído talvez com excesso descritivo, como se houvesse
uma urgência em se livrar de tanta coisa presa na memória.
A
autora, em alguns momentos, tira bom efeito de recursos metalinguísticos.
Veja-se, por exemplo, o início do capítulo 25: “O correio eletrônico,
diariamente, posta brindes do Aulete. São verbetes descontextualizados, que
aparecem na linha ao lado do remetente. O primeiro impulso, nas primeiras
correspondências, é de apagá-los. Aos poucos, no entanto, conforme se vai
percebendo que podem ser termos regionais tornados engraçados diante do falar
hegemônico do sudeste, ou palavras retiradas do jargão universitário que usadas
em ambiente novo se esvaziam de certa sisudez, a curiosidade obriga a dar uma
parada e, se não se consegue ler a definição no momento, deixa-se a mensagem
esquecida por um tempo até que o verbete seja enfim lido e mandado para a lixeira.
Ontem me chegou o seguinte: alamoa: s. f., personagem lendária, Alamoa, galega,
lourota, branca azeda, nariz torto”. Essa definição serve para a inserir uma estrutura paródica sobre a
narrativa mítica em que o lendário configura-se como elemento prosaico,
esvaziado de dimensões extraordinárias. Termina a passagem com uma quebra
radical do recorte mítico, abrindo-se para o cenário de um comercial.
Ainda
vale a pena observar também o expressivo efeito obtido pela engenhosa narrativa
epistolar que constitui o capítulo 23. Os textos lacônicos dos bilhetes e das
cartas, associados às informações parentéticas, primam por expor a tensão
oculta nas palavras.
Um
técnica quase fractal exibe a realidade caleidoscópica da memória. Quase porque
nunca repete a mesma estrutura. Cada capítulo modifica o universo, apostando no
antilinear e na memória como o processo de formação do mapa de ilhas vividas em
ambientes e épocas distintas. A imagem reiterada do “piso de lajotas de
cerâmica vermelha com bordas arredondadas” parece nos remeter ao texto
construído como remontagem, um discurso em luta contra a força centrífuga do
tempo que só na escrita, essa ação de rejuntamento, consegue o mínimo de
coesão.
Freud
apontou para o fato de a memória implicar tanto a ausência quanto a presença,
ambas representadas no mesmo gesto: a presença de uma ausência. Embora
constituída num determinado percurso, a memória nunca é a repetição do mesmo,
sempre flutua, reconfigura-se, condenada a reinvenção constante de seu corpo
discursivo. Assim, o passado, se volta através da falta, isto é, através da
impossibilidade do seu resgate, permanece como lacuna. A memória é a invenção
do passado como legibilidade, por isso a falta é matriz da ficcionalidade, do
relato para inventar a memória, esse tempo sem passado.
Após
a leitura de A oficina esbarramos em
velhas questões. Que filtros atuam na depuração da memória a ponto de
transformá-la em ficção? Lugares, pessoas, objetos, situações existenciais,
anotações do precário ou inscrições que buscam ir além do horizonte do
provisório - o que busca na realidade o narrador: lembrar ou esquecer? Provavelmente
não haja nenhuma resposta. O narrador é aquele que fala de fora de qualquer
experiência, por isso tudo o que diz é ficção e toda ficção é impura, ou seja,
um terreno discursivo ilimitado. Isso é mais ou menos o que escreveu, com maior
propriedade, Beatriz Sarlo (sobre outro contexto, o das narrativas provocadas
por ditaduras):
“A literatura, é claro, não dissolve todos os problemas colocados, nem
pode explicá-los, mas nela um narrador sempre pensa de fora da experiência,
como se os humanos pudessem se apoderar do pesadelo, e não apenas sofrê-lo.”
Luciana Viégas, em sua primeira narrativa, já se revela possuída de
febre ficcional. Isso é garantia de novas páginas de alta temperatura no
horizonte.
Título: A oficina.
Autora: Luciana Viégas.
Editora: Graphia.
Páginas: 154.
Ano: 2012
Preço: R$ 40,00
Preço:
quinta-feira, 19 de julho de 2012
Revista Arraia PajéurBR + Contologia & Poemantologia dos Novíssimos Autores do Portal Cronopios
2ª FESTA DE LANÇAMENTO EM SÃO PAULO
Revista Arraia PajéurBR + Contologia & Poemantologia dos Novíssimos Autores do Portal Cronopios
- Entrevista com o escritor e editor Carlos Emílio C. Lima.
- Recital com os poetas e ficcionistas das antologias cronopianas.
Sexta-feira, dia 20 de julho, às 19h30
Local: Casa das Rosa Rosas - Espaço Haroldo de Campos de Poesia e Literatura
terça-feira, 17 de julho de 2012
Um texto de intradução linguístico-anarcopoético-ideológica (análise psicótica de vocabulário neocolonizado)
Mainstream
Em tradução mal passada:
padronização do pensamento,
vaquinha de presépio,
Maria vai com as outras,
tecnozumbido,
obediência à onda,
massa de manobra
ou manada sob o rolo compressor
- cabeça na privada.
Origem
Sala de think tank,
ou seja,
aquário de pensamentos
alugados
à vista ou a prazo.
por peixes especializados
em expelir expertise em palavras.
Usinas sem ideias:
gêmeas de ongs-gangues .
Sala de think tank,
ou seja,
aquário de pensamentos
alugados
à vista ou a prazo.
por peixes especializados
em expelir expertise em palavras.
Usinas sem ideias:
gêmeas de ongs-gangues .
Resultado
Uniformicocos mentalis –
Nome vulgar: merda no miolo.
Uniformicocos mentalis –
Nome vulgar: merda no miolo.
sábado, 7 de julho de 2012
A alma no aberto
O bóson de Higgs
se dobra e desdobra
para me fazer um outro
mas não sou Rimbaud
não sou eu nem esse
nem aquele nem quero
não ser um ser qualquer.
Nada ao lado,
vazio ao centro,
é sempre o mesmo sopro,
o perfil torto,
o incompleto rosto
de um louco
sem amor
sem matéria
sem dentro.
A última partícula
partirá rumo ao esquecimento.
Como no amor,
o que se amplia na física*
é a fissura dos limites.
* entenda-se por física
as turbulências de seus olhos verde-suicida.
se dobra e desdobra
para me fazer um outro
mas não sou Rimbaud
não sou eu nem esse
nem aquele nem quero
não ser um ser qualquer.
Nada ao lado,
vazio ao centro,
é sempre o mesmo sopro,
o perfil torto,
o incompleto rosto
de um louco
sem amor
sem matéria
sem dentro.
A última partícula
partirá rumo ao esquecimento.
Como no amor,
o que se amplia na física*
é a fissura dos limites.
* entenda-se por física
as turbulências de seus olhos verde-suicida.
sexta-feira, 6 de julho de 2012
Linha 298 – Castelo-Acari
Linha 298 – Castelo-Acari
Óculos no ônibus
desorbitado
desorbitado
no ponto onde descem
lágrimas e passageiros.
O motorista com cara de gangster.
Na freada brusca
derrapo qualquer possibilidade.
Inverossímil viagem
a vida.
Meus gestos na neblina,
na cega calmaria morna
do piloto automático;
em romaria â mina morta
onde o amor vale menos
que um bilhete de metrô.
O motorista me ameaça
palavrões e pistola
me jogam para fora:
já não caibo mais em nenhuma viagem.
Longe
![]() |
| Zdzislaw Beksinski |
Longe:
advérbio
de distância variável
flutua
a memória magoada
ora plena
ora pura opacidade
Longe:
advérbio de adversidade
sintaxe intoxicada
pelo gás carbônico
de ruas submersas
despovoadas
de sinais e chamados
Longe:
advérbio de perda
alta quilometragem
fora dos limites
pneus descalibrados
carteiras vencidas
paisagem mofada
onde pastam placas
sinalizando círculos
(ausência de passagem)
Revista Arraia PajeúBR nº 4
Editor: Carlos Emílio C. Lima
Organização das antologias: Carlos Emílio C. Lima, Cláudio Portella e Pipol.
Projeto gráfico: Augusto Oliviera e Carlos Emílio C. Lima.
1) Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos na Contologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
Organização das antologias: Carlos Emílio C. Lima, Cláudio Portella e Pipol.
Projeto gráfico: Augusto Oliviera e Carlos Emílio C. Lima.
1) Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos na Contologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
TERE
TAVARES, MAURO PAZ, VALTER FERRAZ,VERA HELENA ROSSI, RAFAEL SPERLING,
ELEONORA DUCERISIER, PEDRO COSTA REIS, JOSÉ ANTÔNIO CAVALCANTI, MÁRCIA
BARBIERI, LEANDRO MAYFAIR, LETÍCIA PALMEIRA, WILAME PRADO, FILIPE
JARDIM,WALDEMIR MARQUES, EMÍLIA BARBÉS, UDO ...BAINGO, AFONSO JUNIOR
FERREIRA DE LIMA, ALEX SENS FUZIY, DOUGLAS EVANGELISTA, ALEKSANDRO
COSTA, DANIEL LOPES, LARISSA MARQUES, AMANDA VOX, CAMILA FORTUNATO, LUAN
MAITAN, IVAN GUARDIA, WALTER SOLON, IGOR FARIAS, DANIEL MATOS, TAMARA
COSTA, MIRTES LEAL, ÁLVARO DIAS CUBA, RONIE VON ROSA MARTINS, AIRTON
UCHOA NETO, NINA RIZZI, JULIANA FRANK, ANDRÉIA DONADON LEAL, SUELI MAIA,
MILENA MARTINS, PAULO MOHYLOVSKI, HUGO CREMA, EDUARDO SABINO, TIAGO
BASÍLIO DONOSO, POTYGUARA ALENCAR, ANTÔNIO ALVES JUNIOR, GUILHERME
COBELO, EDUARDO SIGRIST, MARCIO G. PERFETTO, JANA LAUXEN, BRUNA G.
GALVÃO, SHEYLA SMANIOTO MACEDO, ADRIANO DO VALE, PEDRO COSTA, DANIEL
FERREIRA, LUCINEIDE SOUTO, JONATAN DOLL, EDUARDO ESCARPINELI, GLAUCO
LEANDRO, EDSON COELHO.
2) Veja a lista completa dos poetas de todo o país incluídos na Poemantologia Portal Cronópios/Arraia PajéurBR:
BRUNO
MOREIRA, EUNICE BOREAL, TOMAZ AMORIM IZABEL, ANDERSON PETRONI, MARCOS
VINICIUS ALMEIDA, RENATA DE ANDRADE, ÂNGELA CASTELO BRANCO, NATHALIA
RECH, OTAVIO RANZANI, ERYCK MAGALHÃES, VANESSA CAMPOS ROCHA, MÁRCIO
ARAUJO, JOÃO NICODEMOS, NYDIA BONETTI, CLARICE LINDEN, WENDER
MONTENEGRO, RAPHAEL BARROS ALVES, EMANUEL RÉGIS, ATHOS GUIOU, TALLES
MACHADO HORTA, LUCAS DOS PASSOS, MARCELI ANDRESA BECKER, MARCELO
DONATTI, FLÁVIA IRIARTE, CAROLINA CAETANO, WILSON TORRES NANINI, CHICO
PASCOAL, GABRIELA MARCONDES, ISAÍAS FARIA, DARLAN M.CUNHA, GERSON
CHAGAS, GRUPO POENOCINE: ARIANE ALVES DOS SANTOS, JONAS PEREIRA SANTOS,
LUIS FELIPE DE LUCENA JUNIOR, MICHELL FERREIRA, PAULO SPOSATI ORTIZ E
SIMONE SPILLBORGHS; MURYEL DE ZOPPA, ANA F., LÉO MACKELLENE, IVALDO
RIBEIRO FILHO, DEMETRIOS GALVÃO, YLO BARROSO, MARCELO BITTENCOURT,
RODRIGO VARGAS, REINALDO PIMENTA, CHICO SOMBRA, LUIZ VALADARES, KILITO
TRINDADE, RENATA FLÁVIA, TITO DE ANDRÉA, CARLOS ALBERTO, TIAGO ALVES,
ALUÍSIO MARTINS, AUGUSTO DE GUIMARAENS CAVALCANTI.
Lançamento em São Paulo, dia 17 de julho, às 19h30
na sede da FUNARTE em São Paulo
na sede da FUNARTE em São Paulo
Alameda Nothmann, Nº 1058 – Centro. Próximo às estações Santa Cecília e Marechal Deodoro do Metrô.
quarta-feira, 4 de julho de 2012
Elo perdido
m ã e
m a r c i a l q u a s e
p a i
m ã e a m e a ç a
f i l h o
a m a r g a f a l h a
m ã e
c a s t i g o & c á r c e r e
f i l h o
f r u t o b a n d a l h o
m ã e
c o c a
í n a &
c a c h a ç a
f i l h o
f u t u r o f e r i d o
m ã e
f i l h o
e l o p e r d i d o
(1977)
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