segunda-feira, 13 de agosto de 2012
domingo, 12 de agosto de 2012
Céu abaixo
![]() |
| A Escada de Jacó, de William Blake (1757-1827) |
A três palmos do chão
miro
manchas demoníacas no céu
em desmonte.
O caminhão de mudanças
levará o azul
para o outro lado da cidade.
Em gigantescos sacos plásticos
embalam manhã e nuvens.
Nenhuma informação dos indivíduos
em uniformes ocres.
As mesmas escadas
para marcas em outdoors
usadas
© Jacó.
Tapumes púrpuras impedem
a leitura de novo anúncio
na velha pele do planeta.
A três palmos do chão
piso
pedras despidas do céu
em demo/lição.
sábado, 11 de agosto de 2012
Na cola do poema
A três passos
da descoberta
a palavra
murcha
no canto da
boca.
Sílabas
na saliva,
sal
na língua
suja.
A escrita
um corpo
quase,
devassa,
devastação.
Gastei minha
sombra
à procura,
virei exumador
de cadáveres,
vermes,
vocábulos.
Meio milímetro a
mais
nuvem epifânica esplenderia.
Pelos versos
sempre escapa o
poema
ralo afora,
bueiro,
lapso,
no colo de uma
vírgula nefasta.
Provo Nicanor Parra,
me valho de
Vallejo,
malho Mallarmé
em sintaxe exata,
acendo Drummond
na madrugada
morta.
Heresia ou
hermenêutica,
nada do poema,
nadinha.
Nunca o poema,
somente abalos
sísmicos
espalham na pele
das palavras
sombra e susto
de inominada
passagem.
domingo, 5 de agosto de 2012
Gesto vazio
![]() |
| "The Embrace", 1917- Egon Schiele |
Gesto vazio
Um abraço
às vezes é tudo;
toque e troca de tom
da pele,
sai o cinza entra o
caramelo.
Adoro abraçar teu nome
principalmente agora
que enlaço o vento,
com as costas escoradas
na parede
para não cair.
As pernas ainda dispostas
a sair
correndo porta afora
atrás de tuas palavras
impuras.
Mas os braços escutam
o vazio
e murcham no escuro.
sábado, 4 de agosto de 2012
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Quá-quá-quá em tablete meio amargo
Quá-quá-quá em tablete meio amargo
Atravesso uma quadratura aquátil
palafitas
malditas
: as palavras
Casa do falso quediva do Cairo
em ondas de quebra-verso
à deriva
Quiçá um esquadro
de quartzo no meio do quarto
ou de um quasar
quebre meu queixo
antes que a roda de um carro
Quero
a quântica quenga
do último bolero
que fugiu com o roteirista
cego
Mas o serviço de entrega
à queima-roupa
me reserva anódinas encomendas
a) Dois
versos de Paul Celan
dentro de vidro de azeitonas
“Deslizas: o granizo negro da melancolia
Cai num lenço, todo branco pelo aceno de
despedida”
b) Caixa com fotografias extraviadas
menina com um cãozinho beagle no colo
mulher quíchua de
olhos quebrados
contra a neve dos
Andes
homem mal passado
c) Apólice de plano de apo(sentado)ria
bilhete anexo
“prazo de validade
ilegível”
quinta-feira, 2 de agosto de 2012
quarta-feira, 1 de agosto de 2012
A poesia morreu. Juro que sou inocente.
Poema
vencedor da PROMOÇÃO “ O FINAL DOS TEMPOS”,
organizada pelo site BLOGBLUGBLAGUE
Para VC, amor, um poema WC
(com posição etilírico-amorosa)
Troque uma letra de PERDA
Ganhe um quilo de MERDA
Poema
de Umbego egobigo
Parecer do Júri: O poema explora a miséria alheia em proveito impróprio,
isso pode ser verificado pela axiologia coprológica em termos vulpinos da
semiose libidinal dos catavermes imunes. Com os estrogênios telecinéticos o autor
cria um processo paronomástico vibrátil, pleno de niilismo vesânico pós-moderno
e cataléptico autorreferenciado. Notável o efeito do modo injuntivo conjugado a
um jogo em que o par linguagem/medida formula
matrizes de um desequilíbrio concêntrico.
terça-feira, 31 de julho de 2012
Ida
É sem direção
o rumor dos sonhos.
Vou para a luz
atrás de árvores gigantes.
Nuvens me dizem
obscenidades,
pedras abrem-se ocas;
expondo as vísceras
de todas as ruínas e tempestades.
É a perversão das vozes
demoníacas
sob os galhos de árvores mortas
que espalha despojos pelas sendas:
uma trilha de estrelas inúteis
penduradas na poeira dos tempos.
Vou para a escuridão
absoluta
no interior de qualquer fim,
na fronteira onde tudo se acaba
e a vida cabe inteira
em rasa e estreita vala.
Assinar:
Postagens (Atom)










