quarta-feira, 17 de outubro de 2012
sexta-feira, 12 de outubro de 2012
Dose dupla
Boa noite,
Sr. Golyádkin,
também
me chamam assim.
Somos sombras
cúmplices,
vacilantes,
falhas em duplicata.
Por favor,
coloque o capote,
aperte a minha mão
e o passo.
Não faça
essa cara de espanto
nem me desaponte
com seu desdém.
Vamos vagabundear
por Petersburgo
em carruagem de cavalos de Kazan
digna do tsar.
Sairemos da rua Chestilávotchnaya,
atravessaremos
a ponte Izmáilovski;
Clara Olsúfievna
nos espera
vestida de versos franceses.
Não, amigo,
não há mais bailes aristocráticos.
Breve estaremos na neve
da avenida Niévski,
comemoraremos a morte
do Grande Inquisidor
no cabaré Príncipe Míchkin.
.
terça-feira, 9 de outubro de 2012
segunda-feira, 8 de outubro de 2012
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Alma de sparring (versão BETA)
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Nova cartografia urbana

Eis o progresso.
Reparem sua impostura,
as linhas da nova arquitetura,
funcionalidade
o conforto
para poucos.
(Este é o melhor dos mundos.)
Situações extremas
abalam
editoriais e urbanistas,
mas a repaginação
das ruas,
o reforço da vigilância,
os helicópteros acima dos guetos,
as tropas estelares da polícia
e a cerca navalhada dos muros
exibem requintes de perversão
nas capas de revistas
de revirar o estômago.
(Ainda bem que os Estados Unidos
nos salvam de terroristas
e de nós mesmos.)
A suprema delícia,
a maravilha da nova desordem
mundial
nos projetos de capitalixos
negociantes de almas,
traficantes de luas e cidades.
A leitura que importa
- a lista dos dez vigaristas
mais ricos do planeta.
(Graças ao disque-denúncia
nos livramos
de todas as pessoas diferentes.)
Vendem-se em fascículos e
realities shows,
no mesmo pacote,
condomínios luxuosos
e zonas de extermínio,
clones,
drones
e drenagem cibernética.
(Felizmente a televisão,
labirinto do olvido,
imagem e semelhança de Deus.)
As cidades
amputadas em plantas
monetárias
morrem sufocadas
de necronegócios.
Situações extremas
abalam
editoriais e urbanistas,
mas a repaginação
das ruas,
o reforço da vigilância,
os helicópteros acima dos guetos,
as tropas estelares da polícia
e a cerca navalhada dos muros
exibem requintes de perversão
nas capas de revistas
de revirar o estômago.
(Ainda bem que os Estados Unidos
nos salvam de terroristas
e de nós mesmos.)
A suprema delícia,
a maravilha da nova desordem
mundial
nos projetos de capitalixos
negociantes de almas,
traficantes de luas e cidades.
A leitura que importa
- a lista dos dez vigaristas
mais ricos do planeta.
(Graças ao disque-denúncia
nos livramos
de todas as pessoas diferentes.)
Vendem-se em fascículos e
realities shows,
no mesmo pacote,
condomínios luxuosos
e zonas de extermínio,
clones,
drones
e drenagem cibernética.
(Felizmente a televisão,
labirinto do olvido,
imagem e semelhança de Deus.)
As cidades
amputadas em plantas
monetárias
morrem sufocadas
de necronegócios.
Haicai para Carlos Nelson Coutinho
A excelente Revista Germina Literatura traz, na edição de setembro, doze poemas de minha autoria. Para acessar entre no link
http://www.germinaliteratura.com.br/2012/jose_antonio_cavalcanti.htm.
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Série "Não hai nem kai" II
xv
Um
fogo no céu
amarelo queima o azul,
a nudez dos corpos.
amarelo queima o azul,
a nudez dos corpos.
XVI
No
muro pichado
preguiçosa lagartixa
espicha o rabo.
preguiçosa lagartixa
espicha o rabo.
XVII
A
flor da loucura
nasce daquelas palavras
na cova da boca.
nasce daquelas palavras
na cova da boca.
XVIII
Modula
o regato
mágica música líquida,
canção cristalina.
mágica música líquida,
canção cristalina.
XIX
Chuva na cidade.
A água leva lixo e mágoa
nas ruas que lava.
XX
No cravo vermelho
notas de outro cravo ecoam,
teclas tocam pétalas.
XXI
Laelia
purpurata,
asas rosas, pura púrpura
guardiã do ouro.
Gramática do fim do mundo
Gramática do fim do mundo I –
Processos de deformação de palavras
Ex marido
Ex vira-lata
Ex mulher
Ex modelo
Ex – prefixo do tempo perdido, usado para etiquetar a coleção de
despojos que largamos em nosso caminho. Introduzido em língua portuguesa
por Marcel Proust.
Gramática do fim do mundo II
Antilógico
Antimatéria
Anticristo
Antissocial
Anti – prefixo de barricadas e enfrentamento, morfema radical de
confronto. Linguisticamente o movimento que nos arremessa um contra o
outro, meu amor. Introduzido em língua portuguesa por Friedrich
Nietzsche.
Gramática do fim do mundo III
Introjetar
Intrometido
Introito
introvertido
Intro – Prefixo que assinala movimento para dentro, posição interior.
Dizem os pseudoeruditos da Academia Mundial dos Malditos (minha maior
referência no campo dos estudos linguísticos) que essa forma deriva do
verbo doer. O “d” e o “o” iniciais do gerúndio teriam caído fulminados
por um frenético colapso fonético provocado pela intensidade da dor
quando, supostamente, caminhamos para dentro de nós mesmos. Alegam os
célebres estudiosos que esse prefixo é uma fraude, dada à completa
impossibilidade de comprovação da existência de um interior humano.
Prefixo introduzido em língua portuguesa por Freud.
domingo, 16 de setembro de 2012
Assinar:
Postagens (Atom)










