quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

Poema em corte sagital



















decapitar
occipital
de capitulo
em capítulo
capitulação
frontal
página
por página
parietal
até nada
sobrar
do temporal


dentro
















d(entro)
no c(entro)
do antro
pófago
póstero
si mesmo
o próprio
ópio
fêmur
entre dentes


Av. Atlântica, -104





















vai nau
além
aliás
vai mal
o mar
engodo
sal
com iodo
legado
logro
Netuno
afogado


segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Doping





















“Homem, torna-te no que és” - Píndaro


medalha de ouro
placa espetada
no miocárdio
em curto-circuito
metabolismo
em potência máxima
adrenalina
em pernas de bólide
anabolizado
cyborg
record mundial
nos cem metros
para o abismo
sem direito
a ode epiniciana de Píndaro


sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Anarquipélago





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quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Dois no ringue

























Escalafobético,
dizia-me
com certo deboche
de moça de família nobre,
os olhinhos
pulavam de alegria
acima da boca esnobe.
Depois
usava o sutiã
em jogo de cabra cega,
a calcinha
virava estilingue
antes que as mãos tremessem
na roleta russa.

Professor Amalfitano na quadra do Império Serrano

Basquiat

























veio de Sonora
para exílio
em ensaio de samba
escrito
a nove mãos
101 páginas
com mil rasuras
escritas
a mezcal
abertas
no peito

o corpo
da passista
fora da pista
o silicone
ainda
balançava
e uma flor
lilás
ocultava
o tapa-sexo
e o próximo passo


terça-feira, 3 de dezembro de 2013

matador

Trabalho de  Federico Carbajal













corpos
em excesso
ao calibre
canceroso
de dedos
entre
cão
e gatilho
smith wesson

lágrimas
não recolhem
cartuchos
calcificados
inquéritos
nas mãos
de veludo
de mandantes
a tabela
no tablet
preços
promocionais:
ouro em lingote,
as mais valiosas;
por mil reais,
um lote
de vítimas
miseráveis

as ligações perigosas
em surdina
nunca investigadas

mercado
dez pontos
em alta


segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Camelô

Camelô (1998), de Cildo Meireles
















guarda
a muamba
guarda
que o rapa
em nome do rei
de olho gordo
rouba
teu ganha pão
duro
como o coração
do guarda
draconiano

corre
de velozes
autos de infração
do fiscal
de uísque falsificado
corre
cavalo paraguaio
corre
fora da lei
made in china
corre
que qualquer dito
é desacato
corre
que a dor
e a vida
não emitem
nota fiscal


domingo, 1 de dezembro de 2013

Ascensorista

Trabalho de Amy Casey, "The Leaning Tower of Suburbia"





















Para o último,
penúltimo
ou primeiro
pavimento
da torre
crematória.

Descontará
no contracheque
da eternidade
o sepulcro
adiantado?

Pesar





















palavras placebo
tão inócuas e chochas
como filmes em 3D
o falso desespero
de quem se atrasa
para missa
de sétimo dia
a que nos obriga
lugar marcado
a pura hipocrisia
no teatro da vizinhança



escrita

















abria o compasso
ao círculo
mais vasto
a mão
quase fora da borda
a linha
na fímbria
do papel
derrubava
réguas
lápis
certeza
com vagar
e ângulo exato
falsificava
mapa
de ponta
cabeça
onde se guardava
a chave
curva da morte