quinta-feira, 19 de dezembro de 2013
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
Cortejo
![]() |
| Foto de Arthur Tress, 1974 |
quatro skatistas
conduziam um caixão
com faixas amarelas
símbolos de facção
criminosa
coroas de flores
vermelhas
abertas
na contramão
dava para se ouvir
a estranha cantiga
dos skatistas
palavras incompreensíveis
quando os veículos
buzinavam
os automóveis não paravam
coração com pé no acelera
dor
motor V8 de 570cv
potência de anjo aniquilador
atropelava a canção lutuosa
os skatistas
travavam o rosto
com máscaras fúnebres
de gaze e bronze
e deslizavam o livro dos mortos
egípcio
nas ruas devastadas
da metrópole tropical
Por que nossas vidas não são guarda-volumes (poemeto lírico ao vinagre)
a.4
a.4
capas de discos de
vinil ainda no chão sacados à noite lançados como discos-voadores negros pela
janela arremessos portentosos repletos de álcool era lindo de se ver a heroica
de Beethoven voar Karajan abaixo Mussorgski pictures at
an exhibition supersônico no ar noturno espatifar-se Chopin
prelúdios para piano na madrugada morta Parsifal wagneriano a lança na ferida
de Amfortas quebrada em queda livre naquele momento era impossível saber que o
santo graal subiria escadas coberto parcialmente por rodas de bicicleta
provavelmente roubada o corpo todo era o cálice profanado o cálice que beberia
os lábios devoraria o viço da carne em tensão máxima o desejo quase tocando o forro
de madeira do teto sobre vinil intacto de Nora Ney um poema guardava momento
anterior à loucura que trouxera a polícia à porta no meio da noite versos
truncados incompletos incapazes de poesia ensaiavam última estrofe: “acordam na
ópera acordes inaudíveis / neles a massa sonora se desmancha / para que a voz
ressoe solo e vírus / na ária, lacerada a carne gangrenada / a garganta os
pulmões os ossos / no chão sem sinal de harmonia” rasura premonitória da
impossibilidade de coro
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
A caminho
A caminho
-1
mais à frente,
o Letes,
próximo ou distante
o som amargo
de águas lúgubres
flutua
o caminho
o tempo
atravessa atalhos
com a velocidade da luz
-2
retardo os passos
piso
pequeno demônio
repiso em vão
nunca a eudaimonia
já não vingam
vestígios
da alétheia
vislumbrada
em alguma curva
fechada
domingo, 15 de dezembro de 2013
sábado, 14 de dezembro de 2013
Migração noturna
![]() |
| Pintura de Dulce Osinski |
O que se abre
quando os olhos
se fecham
areal
um areal
pré-deserto
pois é água
a memória que ainda
escoa em sulcos
atrás de
palmeiras de plástico
úlceras de
sombras alongadas
na tábua de
passar roupa
atrás de vagos
vultos
um sol devasta
o sinteco de
tacos gastos
câncer de pele
o horizonte
lançando ameaças
saarianas
quando mais
fechados
estão os olhos
carcaças jogadas
no ocaso
então
surge música
em caravana
surge você
e seu cortejo de
eunucos
e machos
e passa
passa
por cima dos
meus olhos
fechados
bem fechados
para não ver
a caravana de
carros
no meio da avenida
e você
minha tempestade
de areia
quarta-feira, 11 de dezembro de 2013
Caixinha de perdas preciosas
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