segunda-feira, 6 de janeiro de 2014
domingo, 5 de janeiro de 2014
Fala Marinha I
Domingo, dia de
remexer o baú. Encontrei este poema antigo, do tempo em que ainda me preocupava
em registrar a data. Pareceu-me tão outro aquele que o criou.
Fala Marinha I
Naveamar
singrar as baías
do teu corpo de algas
Perder os teus lábios
ao colidir com recifes
Fora de alinhamento
sousandradino bêbado
folheando palavras
no fundo falso do mar
O poema?
Ah, não se constroem poemas apenas com palavras,
sempre remendos nas velas:
silêncio,
ausência,
pausa,
falha.
Situar-se dentro
dançar na corda
sentar-se no muro
tudo é navegar
O mundo é um bolo de chocolate
torta caramelada
vela a se apagar
num sopro vespertino
de infante de águas invisíveis
Navegar o silêncio
a cortar conchas e caramujos
O corpo
esponja a ondular
oficina de cavalos-marinhos e estrelas-do-mar
Rio, 22.06.1976
Fala Marinha I
Naveamar
singrar as baías
do teu corpo de algas
Perder os teus lábios
ao colidir com recifes
Fora de alinhamento
sousandradino bêbado
folheando palavras
no fundo falso do mar
O poema?
Ah, não se constroem poemas apenas com palavras,
sempre remendos nas velas:
silêncio,
ausência,
pausa,
falha.
Situar-se dentro
dançar na corda
sentar-se no muro
tudo é navegar
O mundo é um bolo de chocolate
torta caramelada
vela a se apagar
num sopro vespertino
de infante de águas invisíveis
Navegar o silêncio
a cortar conchas e caramujos
O corpo
esponja a ondular
oficina de cavalos-marinhos e estrelas-do-mar
Rio, 22.06.1976
sexta-feira, 3 de janeiro de 2014
quinta-feira, 2 de janeiro de 2014
A terra nunca é firme para os navegantes
![]() |
Pierre Bonnard, "Woman with an Umbrella"
(Femme au parapluie) from Album de la Revue Blanche, 1895, Lithografia
|
Guardava a porta
linha imaginária
sobre a qual
pássaro
de indecisão
se encorpava
incorporando
o canto aos
acordes
da chuva ácida.
A linha
imaginária
separava o
verniz
dos sapatos
em dois
hemisférios
tomados de incerteza
até a altura dos
polos
que brilhavam
à espera de
salvação.
Mãos ansiosas
seguravam
sombrinha
chinesa
sem saber
a direção do
vento
a intensidade da
chuva.
Poema
Sonhei-me
outra pele
tela de tatuagens
o arrepio
que atravessou
o corpo
tremor
imutável
Raso, muito raso, tão raso que rasura fundo
![]() |
Hippolyte Bayard (1801-1887), Selfportrait
as a drowned man (1840)
|
O que os faróis
acendiam
entre asfalto e
areia
era mesmo
mudez de noite
de despedida.
Podia ser vista
extrema nudez,
palavras mudas
à espera do navio
que naufragasse
a lua cheia.
quarta-feira, 1 de janeiro de 2014
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
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