segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Haicai



Pedi para abrir
a alma, ela abriu as pernas.
Sou todo ouvidos.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Haicai



Coruja no galho
extremo da madrugada.
Um pio corta a lua.


A primeira trilha












Elefantes
não esquecem
a fonte
de onde brotam
poemas,
o mar inundando
com ondas de palavras
imprescritíveis
a nascente
em mãos infantes.

Deslimite

Vênus e Cupido, de Lucas Cranach, o Velho




















Requerer
o que se quer
se quiser
ser
menos que rei
mais que rês
querer
sequer
mais do que se pode
só o que puder
ser
e só se é
tudo aquilo
que se quer.


O que o vento leva





















Levantou um vento
inoportuno
a saia da tarde
entediada.
Folhas
revoltas
nas calçadas
arrastaram
um bilhetinho
verde
pela corrente de vento.
No papel
em fuga
nomes
e juras de amor
jaziam em azinhavre.


sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Haicai



Senhores da guerra
exigem chá e submissão,
devastam palavras.


Haicai

Man Ray


A demora afoga
qualquer espera amorosa,
flor seca à míngua.


quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Haicai





Bala de alfenim
no centro de boca exausta
derrete palavra.


Voo em chamas

Imagem: Matthew Hitchcock, ilustração do mito de Dédalo e Ícaro.



as asas de cera / e as abelhas / sem mel / pousaram no céu / tão perto do sol / onde o hidromel de Ícaro / derreteu qualquer doçura extrema. / sob a pequena xícara de Dédalo / sobraram apenas sombras / - manchas solares em agonia / na toalha de organza.


A máfia televisiva e as amebas que coagulam pensamentos




















Pelados apelativos espalham-se
Como gel em músculos paspalhos
Pentelhos performativos progridem
De penduricalhos a prato principal
Da programação prontuário policial
(pródigo o país problema fora da pauta)


Não somos racistas


Imagens: 2010 e 2014, Rio de Janeiro, ação de nazipatrulhas



Playboys em nazimotos
masturbam-se
com tacos de baseball
e pistolas Taurus
nas ruas da cidade
mergulhada
em demoníaca gentrificação
enquanto aguardam
a chegada do Führer.



segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Poltrona vazia

Manabu Mabe




















Ausência
agora
sentada
no assento
azul.
Recostada
em palavras
sem apoio
onde
há pouco
face engelhada
purgava
paixões
mortas.

O vento
ainda
balança
a canga
esticada
sobre
a poltrona
onde
há pouco
sobrevivente
sonhava
voltar
ao ponto
em que as escolhas
nos encolhem.