Intempestiva
palavra,
a poesia
soletra
em falsa sincronia
a pronúncia letal
de uma época,
fratura a luz
de lábios nômades
em migração clandestina
para o inalcançável. .
despejando
monossílabos pelo caminho
porque é nos olhos
que dizemos
a tangência amorosa
antes
que a última curva
separe nossas mãos
molhadas
de chuva e de carinho.
Requerer
o que se quer
se quiser
ser
menos que rei
mais que rês
querer
sequer
mais do que se pode
só o que puder
ser
e só se é
tudo aquilo
que se quer.
Levantou um
vento
inoportuno
a saia da tarde
entediada.
Folhas
revoltas
nas calçadas
arrastaram
um bilhetinho
verde
pela corrente de vento.
No papel
em fuga
nomes
e juras de amor
jaziam em azinhavre.