quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Foz e fonte

















ave de leveza
flutua
como pólen

inscrição
invisível
da língua
volátil
do vento

amanhece
a cada
instante
palavra
renascente
flor


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O crack da Copa do Mundo













Os vândalos estão chegando
de Miami
canetas importadas nas mãos
de seda e furto
muamba nas malas
assinam
cheques em branco
para o fim do mundo
cagam novas regras
de silenciamento
as máscaras proibidas
liberadas as mordaças
maquiagens contábeis
torturas
trapaças

do alto
de seus ataques
de pânico
os vândalos
embalsamados
jogam pedras
e moedas
nas ruas
abertas apenas
por leis abjetas
ao cortejo
de múmias imperiais
que correm
vaidosas e apressadas
ao cemitério
dos elefantes brancos


Fora de alcance

Pintura do artista espanhol Dino Valls
















Intempestiva
palavra,
a poesia
soletra
em falsa sincronia
a pronúncia letal
de uma época,
fratura a luz
de lábios nômades
em migração clandestina
para o inalcançável.

.

Soneto armado

Escultura de Al Farrow




















007
P.2
X.9
AK.47

AI.5
AR.15
38
45

9mm
M.16
KKK

UPP
S.O.S.
S.A.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Expansão

"Enterro", de Cândido Portinari













Um corpo
a menos
baixa
à cova.

Cresceu
a cidade,
ela toda
agora
imenso
campo
de desova.


Poesia



























De um saco
de palavras
abandonado
em terreno
baldio
extrair veneno
para mais um dia.

Velha profecia de aeromante armênio














O homem
que se lança
ao céu
à toa
é o mesmo
que mata
tudo aquilo
que voa.



Dias lentos

Lucio Fontana


















Iremos sem pressa
despejando
monossílabos pelo caminho
porque é nos olhos
que dizemos
a tangência amorosa
antes
que a última curva
separe nossas mãos
molhadas
de chuva e de carinho.



Haicai



Pedi para abrir
a alma, ela abriu as pernas.
Sou todo ouvidos.


sábado, 15 de fevereiro de 2014

Haicai



Coruja no galho
extremo da madrugada.
Um pio corta a lua.


A primeira trilha












Elefantes
não esquecem
a fonte
de onde brotam
poemas,
o mar inundando
com ondas de palavras
imprescritíveis
a nascente
em mãos infantes.

Deslimite

Vênus e Cupido, de Lucas Cranach, o Velho




















Requerer
o que se quer
se quiser
ser
menos que rei
mais que rês
querer
sequer
mais do que se pode
só o que puder
ser
e só se é
tudo aquilo
que se quer.