sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Aurora amarela

Pintura de Lucio Fontana





















des
      ponta
na barra
de saia noturna

o sol
assomado
lamberá
sonhos
amassados
na roupa suja


Coprocopa


quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Inaudível

Trabalho de Cildo Meireles

















cordas vocais
tão esticadas
falsas
vozes
em módulos
de ar
viciado
par de
nódulos
vulturinos
fibras
viciosas
não vibram
nem gravam
o agudo
o grave
de nosso tempo
ba
       bél
               ico



segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Inspiração por aparelhos

Pintural do artista espanhol Dino Valls


Mais três poemas recentes internados no balão de oxigênio de Mallarmargens - Revista de Poesia e Arte Contemporânea



domingo, 23 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014

Três haicais




A harpista despeja
asas e acordes de pássaros
em poço noturno.

***

Pianista de fraque
no meio de solo virtuose,
volátil, um traque.

***

O som da ocarina
valsa na sala porosa.
A beleza mina.


Poetas pátrios a R$ 1,99 por cabeça

Albrecht Dürer. Quadrícula, xilo-gravura c.1525. Florença, Gabinetto Disegni e Stampe degli Uffizi.












Patéticos
poetas
olímpicos
perseguem
o pódio;
louros
em cabeças
de isopor
e papelão.

O suicídio:
única
poesia
possível.

Matar-se
apenas
no papel.
Os pulsos
não.


quinta-feira, 20 de fevereiro de 2014

Cinema surdo

"Um Fotograma", trabalho de Leandro Selister



















O poema voa
no céu de cinema
quando algo a atrai
quase na última
cena
se trai
e olha para trás
a paisagem
na cara
mascara
ansiedade
nos cabelos
iluminados
por uma cidade
em chamas
na tela

duas fileiras
atrás
roteiro sem ação
outro filme
projeta
verdades nuas
pela metade
na tela
em pânico
sem créditos finais
o sonho
de duas verdades
faz água
antes que as luzes
se acendam



Foz e fonte

















ave de leveza
flutua
como pólen

inscrição
invisível
da língua
volátil
do vento

amanhece
a cada
instante
palavra
renascente
flor


quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

O crack da Copa do Mundo













Os vândalos estão chegando
de Miami
canetas importadas nas mãos
de seda e furto
muamba nas malas
assinam
cheques em branco
para o fim do mundo
cagam novas regras
de silenciamento
as máscaras proibidas
liberadas as mordaças
maquiagens contábeis
torturas
trapaças

do alto
de seus ataques
de pânico
os vândalos
embalsamados
jogam pedras
e moedas
nas ruas
abertas apenas
por leis abjetas
ao cortejo
de múmias imperiais
que correm
vaidosas e apressadas
ao cemitério
dos elefantes brancos