Sete poemas meus acabam de sair em Mallarmargens - Revista de Poesia e Arte Contemporânea
terça-feira, 22 de abril de 2014
Poemas em Mallarmargens
domingo, 20 de abril de 2014
Saudade em expansão cósmica
Arco vazio
Santificados
os que te dizimaram
com fé e varíola.
A pátria
apaga tuas terras
com a gula dos agiotas.
Em alguma narrativa oficial,
acadêmica,
nas linhas da prosa pétrea
etc & tal
medalhas e autocomplacência.
Chamam a matança
de tua gente
"páginas do desenvolvimento
nacional".
Metafísicos da terra de Oz
cospem verdades cósmicas
"os índios vivem em nós".
Difícil segurar a ira
ou o riso.
Poucas flechas,
tantos cafajestes.
os que te dizimaram
com fé e varíola.
A pátria
apaga tuas terras
com a gula dos agiotas.
Em alguma narrativa oficial,
acadêmica,
nas linhas da prosa pétrea
etc & tal
medalhas e autocomplacência.
Chamam a matança
de tua gente
"páginas do desenvolvimento
nacional".
Metafísicos da terra de Oz
cospem verdades cósmicas
"os índios vivem em nós".
Difícil segurar a ira
ou o riso.
Poucas flechas,
tantos cafajestes.
sexta-feira, 18 de abril de 2014
quarta-feira, 16 de abril de 2014
Kranhacãrore
![]() |
| Primeiro registro fotográfico feito de um índio Kranhacãrore, 1973, Rio Peixoto de Azevedo, divisa entre Mato Grosso e Pará - foto de Pedro Martinelli, 1970. |
Veio Sôkriti
do mato
a máquina captou
a imagem
o estado
arrotou
a placa
ordem e
progresso
índio
descartável,
a tua tribo
doravante
em ponto morto,
as ocas
deslocadas
ao deus-dará
por bárbaros
ilustrados
e ai de ti
se não te
pintares
para postais
turísticos
ou antropologia
de povos extintos
sempre foste
história remota
línguas
desaparecidas
suicídio
bando de nômades
embriagados
invisibilidade
secular
genocídio
ah, e o
carnaval,
sim, o carnaval,
palco de tua
máscara mortuária
Dez toneladas de tempo
Guardava a porta
linha imaginária
sobre a qual
pássaro
de indecisão
se encorpava
incorporando
o canto aos
acordes
da chuva ácida.
A linha
imaginária
separava o
verniz
dos sapatos
em dois
hemisférios
tomados de poeira
até a altura dos
joelhos
- polos
brilhantes
à espera da
salvação.
Mãos inseguras
seguravam a
serpente
de fogo
que escapava
da sombrinha chinesa
para incendiar o
leme
sem se importar
com a direção do
vento
a intensidade da
chuva
a velocidade da
água
que invadia as
fissuras da travessia.
segunda-feira, 14 de abril de 2014
Poema escolha (novo arranjo)
domingo, 13 de abril de 2014
Água-régia
![]() |
| Escultura subaquática de Jason deCaires Taylor |
Guardo ingressos
em caixas de biscoitos
amanteigados.
Por eles meço
a altura das nuvens,
o calor do corpo,
a distância dos abismos.
Entre a data e o preço,
fluidez da memória de
águas
impuras
e leve desvio para o
vermelho.
Às vezes tiro a camisa,
mergulho em piscinas
naturais
atrás de páginas perdidas
no fundo,
ou, quem sabe?,
à procura de palavras sem
espinhos,
tesouro de sentidos
intocados.
Tudo o que trago, no
entanto,
em minhas pálpebras inchadas
é um sistema planetário
desconhecido
no centro do espanto.
E cãibras, cãibras,
muitas cãibras.
sábado, 12 de abril de 2014
quinta-feira, 10 de abril de 2014
Ronda alta
Lanço meus
passos
na rua escura.
No tropel de
horas
mortas
a lua madura
de tempestades
despeja
minha sombra
nas laterais
de prédios
blindados.
Não vejo onde
piso,
não sigo as
placas,
semáforos,
pedras
portuguesas.
Vestido de
amnésia,
chapéu borsalino,
bolsa a tiracolo
repleta de
originais rejeitados,
espero um
assassino
em cada esquina.
Espera e trajeto
totalmente inúteis,
minha sombra,
faca de caça bem
alta,
prova viva de
minha suspeita
- sou homicida sem
substituto.
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