terça-feira, 13 de maio de 2014
Lançamento do livro "Palavra Desmedida; a prosa ficcional de Hilda Hilst"
segunda-feira, 12 de maio de 2014
A caminho do metrô
-1
mais à frente,
o Letes,
próximo ou distante
ao som amargo
de águas lúgubres
flutua
o caminho
em escadas rolantes
o tempo
atravessa atalhos
com a velocidade da luz
-2
retardo os passos
piso
pequeno demônio
na plataforma submersa
repiso em vão
nunca a εὐδαιμονία
já não vingam
vestígios
da ἀλήθεια
vislumbrada
em alguma curva
underground
domingo, 11 de maio de 2014
sábado, 10 de maio de 2014
Nova manada
![]() |
| Trabalho do escultor chinês Chen Wenling |
passeia a esmo
nas páginas do mesmo
outra manada
como se nada
obstruísse o céu
de cujas varandas
de vidro
ágata e lápis-lazúli
deuses dementes
atiram manuais
de máquinas do mundo
nos cornos curvos
de zumbis ávidos
de selfies e sangue
destino cruel
o das manadas
em caça a hierofantes
passam todas
as patas sobre
o pasto que as vê
passar
em brancas nuvens
quinta-feira, 8 de maio de 2014
Novas banhistas
![]() |
| Trabalho do fotógrafo japonês Daido Moriyama |
As banhistas largaram recatos regatos / em fuga de telas
molhadas de beleza / agora as águas vêm de canos enferrujados / impregnadas de
lodo mijo sangue menstrual / quase sem pressão volume velocidade /partículas
suspensas não removem as impurezas impressas na pele / ouve-se o barulho de
expansão hídrica entre pálpebras de chumbo.
Do livro que não se fecha
Chega-se à página mais doce
quando, após subir e descer ladeiras, vira-se à esquerda. Os pés ultrapassam
trilhos saudosos de dias de carnavais em bondes
onde chapéus e carteiras eram furtados, mas a alegria permanecia
inteira. O azul no céu intacto, imutável também o espelho distante da baía de
Guanabara. Desde o início do mundo, pequena aldeia e mirante acima do
rodamoinho urbano, Santa Teresa flutua poesia. Agora tudo o que se deseja são
dois cafés e que dois ingressos de cinema
sosseguem no bolso da camisa mostarda. Aos poucos o coração recupera o ritmo do
outono. Santa Teresa parece página arrancada do livro da cidade, mas a vista
deslumbrante, a cidade postada aos pés para álbuns de recordações, desaparece.
Não há neblina nem saudade, apenas leve interferência de alguém que, diante de
nossos olhos, acende um tênue princípio de felicidade. Passa-se, então, da
paisagem ao inacreditável.
terça-feira, 6 de maio de 2014
segunda-feira, 5 de maio de 2014
domingo, 4 de maio de 2014
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