Tem poema meu na Revista Grito
segunda-feira, 14 de julho de 2014
domingo, 13 de julho de 2014
Símile
Por não poder
atravessar a via
expressa,
sentei-me à mesa de um
café
de sombras,
pedi um cappuccino,
abri pequeno caderno
cinza
onde me aventuro nos
pântanos
de outra cidade.
Para minha surpresa
encontrei palavras
sorvendo em silêncio
o licor ambarino da
calmaria,
percebi que há muito
tempo
também não conseguiam
atravessar linhas
inimigas.
sábado, 12 de julho de 2014
#PoemaçoContraCopa
Entrei no segundo tempo do Poemaço contra a Copa
quinta-feira, 10 de julho de 2014
À espera dos homens de bem
Aos que talvez fossem não fosse um talvez
Fique com as
suas certezas na sala,
descanse ao peso da verdade,
condene as mãos que danificam
a sua zona de conforto,
a paisagem encantadora de sua janela.
Apodreça com método e manuais
de dialética,
após decifrar novas teorias sociais
de encarquilhados filósofos do mundo morto.
Guarde a raiva e a impotência
para dizer na minha cara:
- Eu não falei? Viu que furada?
Já ouvi seus vínculos
com o medo,
seu compromisso com as migalhas
da vida universitária.
Você acha que milhões de pessoas
são fascistas, eu sei.
Todos os que não seguem
sua eterna ladainha derrotista,
todos os que não se curvam
à redução da política ao oportunismo eleitoral,
todos que percebem que
seu esquerdismo estéril
é incapaz de alcançar a língua da favela e do camponês,
todos os diferentes de você
formam, a seu juízo, um exército de alienados.
Você é foda, é o fodão,
desde que a direção seja sua,
desde que seja você o capitão.
Numa coisa você e o burguês
são exatamente iguais:
ambos se mijam e se borram
quando o povo explode.
Então precisa localizar as falhas,
nunca, no entanto, estão em você mesmo,
nunca reconhece que sempre samba do lado errado,
por isso a culpa está sempre do outro lado,
nos inimigos de plantão:
“isso é um golpe”, “é a CIA”,
“é a FIESP”, “há muito grana de fora”,
“o povo não sabe votar”.
Sim, os bárbaros estão lá fora,
o BOPE está lá fora,
o blindado está protegendo a ordem
que nos massacra,
os neonazistas estão sedentos de sangue,
a direita apresenta as suas armas,
a mídia anda doida por centenas de vítimas,
filtra, explora e expurga as imagens,
o serviço de delação dos que lutam
já se acoplou à espionagem na rede,
mas também estarei lá
não para negar
mas para aprofundar a democracia,
para soprar o vento do inconformismo,
para espalhar a rebeldia
sem a qual nada irá mudar neste país.
Se você prefere ficar abraçado
à certeza, à costumeira arrogância de
uma suposta verdade, fique.
Digite uma petição, faça o enésimo
abaixo-assinado por uma boa causa.
Mas gostaria de estar ao seu lado
nas ruas, abraçá-lo, beijá-lo
mesmo no meio da incerteza e do dilúvio.
Você diz que não há rumo
que estamos perdidos
mas você está precisando se perder
para encontrar a sombra de um caminho.
descanse ao peso da verdade,
condene as mãos que danificam
a sua zona de conforto,
a paisagem encantadora de sua janela.
Apodreça com método e manuais
de dialética,
após decifrar novas teorias sociais
de encarquilhados filósofos do mundo morto.
Guarde a raiva e a impotência
para dizer na minha cara:
- Eu não falei? Viu que furada?
Já ouvi seus vínculos
com o medo,
seu compromisso com as migalhas
da vida universitária.
Você acha que milhões de pessoas
são fascistas, eu sei.
Todos os que não seguem
sua eterna ladainha derrotista,
todos os que não se curvam
à redução da política ao oportunismo eleitoral,
todos que percebem que
seu esquerdismo estéril
é incapaz de alcançar a língua da favela e do camponês,
todos os diferentes de você
formam, a seu juízo, um exército de alienados.
Você é foda, é o fodão,
desde que a direção seja sua,
desde que seja você o capitão.
Numa coisa você e o burguês
são exatamente iguais:
ambos se mijam e se borram
quando o povo explode.
Então precisa localizar as falhas,
nunca, no entanto, estão em você mesmo,
nunca reconhece que sempre samba do lado errado,
por isso a culpa está sempre do outro lado,
nos inimigos de plantão:
“isso é um golpe”, “é a CIA”,
“é a FIESP”, “há muito grana de fora”,
“o povo não sabe votar”.
Sim, os bárbaros estão lá fora,
o BOPE está lá fora,
o blindado está protegendo a ordem
que nos massacra,
os neonazistas estão sedentos de sangue,
a direita apresenta as suas armas,
a mídia anda doida por centenas de vítimas,
filtra, explora e expurga as imagens,
o serviço de delação dos que lutam
já se acoplou à espionagem na rede,
mas também estarei lá
não para negar
mas para aprofundar a democracia,
para soprar o vento do inconformismo,
para espalhar a rebeldia
sem a qual nada irá mudar neste país.
Se você prefere ficar abraçado
à certeza, à costumeira arrogância de
uma suposta verdade, fique.
Digite uma petição, faça o enésimo
abaixo-assinado por uma boa causa.
Mas gostaria de estar ao seu lado
nas ruas, abraçá-lo, beijá-lo
mesmo no meio da incerteza e do dilúvio.
Você diz que não há rumo
que estamos perdidos
mas você está precisando se perder
para encontrar a sombra de um caminho.
terça-feira, 8 de julho de 2014
Antes que a chuva caia
![]() |
| Manabu Mabe |
A última porta
ainda não foi aberta
(talvez atrás dela
outras à espera)
mas algo expirou
à tarde
antes que nuvens
preparassem a mesa
para a tempestade
não mais a atenção
acurada
a apetitosa obediência
à carne verbalizada
impulsiva
despido de concentração
em nichos vazios
sem os botões da camisa
sem os sapatos de deriva
existencial
os cadarços em nós
apertados no pescoço
das questões essenciais
sem os dentes da poesia
na polpa suculenta do nada
sento-me à margem
da ferrovia
onde trabalhei 24 anos
o corpo oxidado
velho vagão vagabundo
sento-me exausto
de falhas e quimeras
fecho os olhos chamuscados
de ironia e pesadelos
começo a cantar
única maneira
de seguir em frente
quando as pernas já não se movem mais.
ainda não foi aberta
(talvez atrás dela
outras à espera)
mas algo expirou
à tarde
antes que nuvens
preparassem a mesa
para a tempestade
não mais a atenção
acurada
a apetitosa obediência
à carne verbalizada
impulsiva
despido de concentração
em nichos vazios
sem os botões da camisa
sem os sapatos de deriva
existencial
os cadarços em nós
apertados no pescoço
das questões essenciais
sem os dentes da poesia
na polpa suculenta do nada
sento-me à margem
da ferrovia
onde trabalhei 24 anos
o corpo oxidado
velho vagão vagabundo
sento-me exausto
de falhas e quimeras
fecho os olhos chamuscados
de ironia e pesadelos
começo a cantar
única maneira
de seguir em frente
quando as pernas já não se movem mais.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
domingo, 6 de julho de 2014
sábado, 5 de julho de 2014
Kamikaze
Este poema fez parte de Sopa & Veneno, livro nunca publicado, menção honrosa no Prêmio Escrita de Literatura de 1976.
Kamikaze
Pássaro de galochas e
pincenê
solto as asas da
liberdade
na curva do horizonte.
As penas vão se
despejando
do alto de voo noturno
numa imitação de
estrelas.
Em certo momento o motor
enguiça,
as asas perdem o balé do
movimento
e o pássaro caio num
galope mortal.
quinta-feira, 3 de julho de 2014
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