domingo, 27 de julho de 2014

Domingradeado










Sob o cobertor
inquieto
escuto reclamações
de folhas
nas mãos sem luvas
de vento avesso
a corpos quiescentes.


sábado, 26 de julho de 2014

Zé Keti



















Fina flor
do samba
desfila
saudade
em minhas retinas.


Luta de classes

El Lissitzky


























“Sintagma extinto”,
medita conceituado linguista
entre a Suíça,
o país final de contas,
e o haras em Araras,
onde pastam portentosos
andaluzes
 campolinas
 manga-largas.


Escrituras sangradas












sionanismo
em gozo
estacionado
sobre Gaza

e a ONU
como no samba
de Sérgio Ricardo
sono sono sono

diplomazia
diplom.amém.amém
melíflua
recita OBAMA
“violência desproporcional"
eufemismo sórdido
lenga-lenga
nenhuma língua esconde
a baba de ódio
dos pigmeus
genocidas


quinta-feira, 24 de julho de 2014

Liga

























se a medida do poema
é a vida
a palavra plana em desmedida
suspensa apenas
no fôlego de quem a acenda 

se a medida do poema
for ritmo de aparelhos
de precisão e matemática
aplicado a veias exangues
grosso catálogo de truques
regras de decomposição
a poesia, inútil exercício


quarta-feira, 23 de julho de 2014

Bala perdida

Max Ernst - "Une semaine de bonté"

























balé necrosado
as sapatilhas
as almofadas
a mochila
com fitinhas do Senhor do Bonfim
São Jorge
murcho
no canto da parede
o irmão caçula
ainda com o celular
na mão direita
de Deus
a irmã
olhos vidrados
na mãe que chora




A hora antes da fenda

















Separado
em cesto
o que sobrou
da tarde.

Sobre a mesa
manchada
de ausência
os buracos
da toalha
com legumes
e farelos
de almoços
onde havia
risos,
sobremesa
e olhares
nutridos
de paz e ternura.


domingo, 20 de julho de 2014

Caqui




Tão claro é o dia
que me vejo no espelho
do caqui vermelho.



Meu ouvido esquerdo




Meu ouvido esquerdo,
a ponta do teu cabelo.
O amor não é o mesmo.


Vento frio




Vento frio,
tremem as folhas das árvores.

Calor na cama.


Tapete de prata





Tapete de prata
sobre a favela e o asfalto.
Lua no morro alto.


sábado, 19 de julho de 2014

A demokraken está nascendo
















charivari
na praça
celestial

volta
a galope
o escuro

no centro
da praça
as águas turvas
do chafariz
deslizam
ácidos
de passado pantanoso

esperança
encurralada
entre tentáculos
& robocops

autoridades
algemam
manhãs