sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Petit jeté




















Mesmo em dia negro
nuvens se desarmam
quando duas ameixas
amanhecem
nos olhos da pequena bailarina
que me sorri
ainda tonta do sonho
de ser Pina Bausch.

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Do que ficou no papel

SIT (Freakin Sitnie)





















perdi o metrô
preso à plataforma
obsoleta
a multidão amassou
folha de fichário
obsoleto
rasgou-a
em meio à disputa
palmo a palmo
pelo lugar marcado
no vagão a caminho
de Necrópolis
campo de absoluto
descontrole
pós-roletas
obsoleto
egocegodiosos
os aparelhos de controle
conectados
às escadas rolantes
do mundo fantasma
obsoleto
o que se escreveu
na folha
(frente e verso)
voou aos pedaços
lentamente
no vento subterrâneo

domingo, 14 de setembro de 2014

Só Net



















Em torno da mesa de Madame Rosebud coisas misteriosas acontecem. Por exemplo, uma mosca azul aparece do nada e lança um líquido estranho em minhas veias. A mesa treme e rabisco, zumbi “com a pena da galhofa e a tinta da melancolia”, um sonessonolento poema fake.

Só Net

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sábado, 13 de setembro de 2014

Elegia aos poemas mortos em acidentes de trânsito

Lygia Clark
















ερωνεία
ironia
ironícone
onírico
Iron man
clone
de papel
vem a chuva
em Tombstone
ironanista
com a boca
no trombone
cheio de Y
ironicósmico
ironicômico
alguém
abriu o verbo
ironiconfuso
para um poema
faltam
dez parafusos



Haicai



O eco sopra nome
intraduzível. Leviana
ventania contra.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Ensaio

Heitor dos Prazeres













Se eu
um pássaro
asas
acenderiam
canto e luz
no céu
do samba.



segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Decadência - versão 2014


Haicai quatro estações



















Drones e tronos
drenam pulsos insubmissos.
Globo em gangrena.

Caçador de Leopardi

Lectura, de Antoni Tàpies


























Caço Leopardi
em savanas
de velhas livrarias.

Acerto o alvo,
Appressamento della morte
desaba no balcão de fórmica
(ou de desejos).
A primeira linha
da ferida impressa
ainda treme entre os dedos:
Era morta la lampa in Occidente”.

Os versos atravessam
a fumaça do café vagabundo
à margem da Praça Tiradentes.
Escapam
pelos andares encardidos
de hotel de segunda classe
antes que olhar envenenado

os condene
à  avidez e à devassa
de leitor assassino.

Dos peces

















Dos peces
lavan la piel de la noche
en el espejo de la luna.