sábado, 4 de outubro de 2014
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
A caminho da Colônia Juliano Moreira
A caminho da
Colônia Juliano Moreira
vejo meu irmão
com um envelope amassado no peito
do outro lado da pista
da Linha Amarela.
Morto há mais de uma década
parece não se importar
com o tempo,
o corte de cabelo
e a roupa fora de moda.
Não posso parar
(o que teria a me dizer
virá escrito em sonhos).
Vou buscar minha mãe
no leito 13
antes que a noite desabe
a promessa de dilúvio no horizonte.
Não consigo encontrá-la,
o leito se esvazia
à medida que líquidos misteriosos
buscam veias perdidas.
Atrás do soro pendurado
na ferrugem de velho suporte metálico,
mulheres de branco
lembram almas do outro mundo.
Não encontro no Google
o caminho de volta.
vejo meu irmão
com um envelope amassado no peito
do outro lado da pista
da Linha Amarela.
Morto há mais de uma década
parece não se importar
com o tempo,
o corte de cabelo
e a roupa fora de moda.
Não posso parar
(o que teria a me dizer
virá escrito em sonhos).
Vou buscar minha mãe
no leito 13
antes que a noite desabe
a promessa de dilúvio no horizonte.
Não consigo encontrá-la,
o leito se esvazia
à medida que líquidos misteriosos
buscam veias perdidas.
Atrás do soro pendurado
na ferrugem de velho suporte metálico,
mulheres de branco
lembram almas do outro mundo.
Não encontro no Google
o caminho de volta.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
domingo, 28 de setembro de 2014
Longe - versão 2014
Longe:
advérbio
de distância variável
flutua
a memória magoada
ora plena
ora pura opacidade
Longe:
advérbio de solidão
sintaxe intoxicada
pelo gás carbônico
de ruas submersas
despovoadas
de sinais e chamados
Longe:
advérbio de perda
alta quilometragem
fora dos limites de velocidade
das contingências
pneus descalibrados
carteiras vencidas
paisagem puída
onde pastam placas
sinalizando círculos
(ausência de passagem)
pneus descalibrados
carteiras vencidas
paisagem puída
onde pastam placas
sinalizando círculos
(ausência de passagem)
Futuro mais-que-furado
sexta-feira, 26 de setembro de 2014
Visita
O ônibus deu voltas
incontáveis
por isso cheguei
tarde demais
ao ponto extremo da
estrada.
Todos os loucos
já foram liberados.
A Colônia Juliano Moreira
agora um bairro:
condomínios,
comunidades
e a Transolímpica
cortando veias verdes.
Começou a ventar forte
agora,
talvez espíritos seculares
convençam a segurança
de que não represento
ameaça.
Podemos conversar
sem gestos nervosos nas
armas.
Sei que todos estão
ocupados,
Minha mãe com 38º de febre,
há dias internada,
não ouve o que digo.
O médico só chegará
depois da chuva.
A enfermeira,
com um frasco de soro nas
mãos
e uma dúzia de diminutivos
escorrendo pelo batom
escarlate,
afirma ser inútil aguardá-lo,
preciso seguir em frente,
antes que a tempestade caia.
Depois se cala
quando lhe digo
que vivo internado
em lugares onde nunca estou
e dos quais nunca consigo
sair.
Ri, meio assustada,
apesar da delicadeza na voz:
“Se você viesse há décadas
não sairia,
mas agora não há vagas”.
Rio, 26/09/2014 – Colônia Juliano
Moreira
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
Degustação - versão 2014
![]() |
| Arcimboldo |
Há conversas sem anverso.
Nelas, uma voz ressoa facas
em prato vazio.
As palavras - pólvora impura -
tateiam púrpuras na pele
enrugada em chumbo noturno.
Invisíveis os sulcos
nos quais a paixão irrigou
a colheita nunca recolhida.
Como iluminar pulsação sem limite
com luz insonora?
Qual o sabor das horas
que passam em barcos fantasmas?
Qual a distância entre
agora e antes?
Que não haja pane e perfídia
entre palavra e vida.
Que todos os gestos
sejam chaves de festa.
Que a dor não imobilize os membros,
não mais do que nesse minuto de purga
entre pergunta e sobremesa
em que se degusta palavra amarescente.
Restará, como licor amargo, um gosto degradado
na partitura do dia perdido.
Em outros momentos navegantes,
refeitas do sabor de nomes incompletos,
nossas sílabas amanhecerão entrelaçadas
na carne e no som.
Nota
Pensei
em escrever um poema tomando por base uma expressão evanescente de longínqua
aula de inglês - "a plastic spider". A professora sentada, minha
adolescência em febre escorrendo nas pernas generosamente cruzadas do vestido
tubinho azul celeste. Eram frases sobre presentes. Pura redundância a quem já
havia sido abastecido para noite insone. Obtuso como poucos, recusei-me ao
exercício. Aranhas de plástico não existem. Nenhuma aranha sem mobilidade. A
aranha sem expectativa não é aranha, apenas mosca morta. Para que oito pernas,
se não chega a Minas? Uma aranha precisa viver à espreita. Pulsa forte o
coração de aranha?
Eram
as minhas frases no caderno (ainda existiam cadernos e neles alguma coisa era
escrita sempre de forma errada). Noite adentro, no entanto, outras aranhas me
sacudiam inteiro em teias invisíveis. E é assim que os poemas desacontecem.
Poema na Revista Grito
Mais um poema - "O Kraken da Copa" - publicado na Revista Grito
http://www.revistagrito.com/#!O-kraken-da-Copa/cywl/389AEDE8-5224-4E8A-9192-3B434240E475
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
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