Um poema inédito publicado em Mallarmargens - Revista de Poesia e Arte Contemporânea.
terça-feira, 28 de outubro de 2014
Poema em Mallarmargens
segunda-feira, 27 de outubro de 2014
domingo, 26 de outubro de 2014
A arte de saltar janelas (nova versão)
Ah, a subida.
Súbito
não há mais saída
de grau
em grão
a vida
no vai-em-vão
des/regular
a voltagem
no último vagão
arrebentar-se
pela janela
antes do posto de
controle
carimbar o passaporte
sangue e ervilhas
salvam-se da viagem
à nova arquitetura
psíquica
do humano em crateras
e cebolas,
muitas cebolas cortadas
com lâmina inox
de cabo cor de abóbora;
retalhos de lençol sobre
o corpo.
sexta-feira, 24 de outubro de 2014
DNAniversário
Sessenta e duas naves naufragadas
de fragmentada
frota delirante:
prova
definitiva
de que
só navega de verdade
quem
se arrisca visceralmente.
Cego
da ausência dos olhos amados,
qualquer
ilha no horizonte
(sob
o cerco de Circe)
é
abismo incandescente.
Nenhum
futuro a bordo,
nenhuma
felicidade à frente.
À
beira de todos os perigos.
Navego
a mil furos por hora,
todas
as velas velozes
ao
sopro violento dos ventos.
Sem
pânico,
sem
arrependimento,
na
vazante do fundo dos seus olhos
a mil
milhas de mim distantes.
Não
amaldiçoo as fissuras de palavras
voláteis
abrindo o casco
à
correnteza de tempos sombrios,
líquida
serpente a beijar de morte
todos
os navios.
Peito
e palavras sempre abertos
ao
instável horizonte.
Levantar
âncora
e
ultrapassá-lo:
amálgama
de travessia e afundamento.
Só
se aventura de verdade
quem
navega verticalmente.
Sessenta
e duas naus carregadas
de
ouro e inundações contínuas
inauguram
o deserto das águas.
segunda-feira, 20 de outubro de 2014
domingo, 19 de outubro de 2014
É domingo e chove
![]() |
| Maria Cheung |
Sentado no meio da
escadaria
vejo pernas apressadas,
rede de varizes impressas,
solidões exaustas
em cestos vazios de
cheiros alheios,
mãos sem enlace
do primeiro ao último
degrau,
dominicais famílias em
trânsito
tangidas como fantasmas
migrantes.
Mesmo a velocidade
das mais portentosas
parece carregá-las a um
ponto obscuro
além da ladeira torta
do morro em disputa.
Quanto peso carregarão as
minhas pernas?
Como aguentam as montanhas
dos meus arcanos
e suas avalanchas
sangrentas
de álcool, gelo, lava e lama?
Esse silêncio estufando a
pele
ao limite da explosão?
A desorientação de quem
sabe aonde não ir,
mas não sabe para onde
ir?
Minhas pernas presas
eternas
presas
dos meus naufrágios.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
Sete microluas no céu dos professores
![]() |
"House of Seven Moons", Charles Veilleux
|
I
Cinzas no cinzeiro,
um travesseiro intocado,
outro amassado.
II
Quando os lobos uivam,
luz acesa no covil.
Céu atrás da porta.
III
Disse “nunca mais”.
Jogou no sofá vinte anos.
Língua sem algemas.
IV
Vento vai e volta.
Aves afinam o canto.
Amor, ninguém toca.
V
Veio a primavera
depois que algo se
perdeu.
Falta inebriante.
VI
Ponto de espera,
a árvore balança as
folhas.
Sombra sobre sombras.
VII
Aurora e olvido,
a conjunção impossível.
As noites germinam.
domingo, 12 de outubro de 2014
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