domingo, 22 de setembro de 2013
quinta-feira, 19 de setembro de 2013
quarta-feira, 18 de setembro de 2013
Letras mortas
![]() |
| "Ciudad invisible", obra da pintora argentina Eva Manzella |
Ele, após a milésima m,
ouvia, ao pé da letra,
metáforas rancorosas;
ela, cheia de efes e erres,
punha os pingos nos is.
Tudo porque na hora h
deu um nó no sexo,
corpos zerados na lona.
No dia D,
antes que se fechasse o zíper
da lua de mel,
a última gutural
na curva em U.
Sobraram dois dedos
de tequila
e um livro de Juan Gelman
aberto em v.
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
domingo, 15 de setembro de 2013
Do outro lado da cidade - lado b
vinha
a beleza transbordando
de blusa poá
rosa e branca
todas as bolinhas
balançavam
no riso roxo
tão estonteante alegria
que as veias
explodiam
travas e trincos
a cera dos corpos
logo se derretia
na chama acobreada
de um abraço
9,5 na escala Ritcher
capaz de fazer picadinho
de todas reservas e reticências
ainda que se ouvisse bem alto
a buzina de um automóvel
ao luar
à espera de alguém
sábado, 14 de setembro de 2013
Desentenditempo
![]() |
| Imagem: O Livro de Horas de D. Manuel, século XVI |
antissolfantasia
os raios-riachos-diamantes
ardormência
em veias-venenos-vênus
ateiam
fósforofogofátuo
em velhas mofotografias 3x4
pútridos ponteiros
cavalgam em lava riscos-rugas
no papel vulcânico
os verdevermes maquínicos ressecam mãos
de incônscio Pilatos
Do outro lado da cidade
observa
som, sombra de asas
na janela
um talvez pássaro
ousasse
entrada
até o jarro chinês
no canto da sala
e pousasse
na orquídea de plástico
rosa dégradé
à semelhança de loura
languidez
na almofada
de listras diagonais
rodeada de rendas
sonolência
solidão
mas são apenas sombras
aleatórias
em disfarce de pássaros
o voo continua intacto
no céu do sofá
terça-feira, 10 de setembro de 2013
Estado do Estácio
![]() |
| Escadaria do Morro de São Carlos, na década de
1930 , fotografada por Augusto Malta. |
Passava Damião Experiência
com sacola cheia de
remendos
catando sons e ruídos no
chão.
Da Adega dos Amigos e
Lordes do Estácio
víamos os seus cabelos
aos gritos.
Havia conhaque bem
vagabundo,
e a vida era besta
apesar da lua ausente.
Heitor dos Prazeres,
Ismael Silva,
Moreira da Silva, Luiz
Melodia e tantos outros
dançavam no meio do Largo
do Estácio.
Com as pernas calibradas
de álcool em dose insuficiente
para aguentar o rojão,
eu subiria a Machado
Coelho,
viraria à direita,
direto aos peitos
das meninas do Mangue.
Depois de dez cruzeiros
e cinco minutos,
mulher de bobes no cabelo
e fotonovela nas mãos,
com pernas abertas de má
vontade,
resmungaria amorosamente
“Anda logo moleque!
Você não tem grana pra
exclusividade”.
Sairia manchada
minha fama de bamba
rumo à rua Maia Lacerda.
Mas o Estácio,
o velho e amado Estácio
logo logo me salvaria:
“cortar o cabelo
que a noite soberana
vai trazer a lua do
samba”.
segunda-feira, 9 de setembro de 2013
domingo, 8 de setembro de 2013
sábado, 7 de setembro de 2013
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