segunda-feira, 8 de setembro de 2014
Decadência - versão 2014
Haicai quatro estações
Caçador de Leopardi
![]() |
| Lectura, de Antoni Tàpies |
Caço Leopardi
em savanas
de velhas livrarias.
Acerto o alvo,
Appressamento
della morte
desaba no balcão de fórmica
(ou de desejos).
A primeira linha
da ferida impressa
ainda treme entre os dedos:
“Era morta la lampa in Occidente”.
Os versos atravessam
a fumaça do café vagabundo
à margem da Praça Tiradentes.
Escapam
pelos andares encardidos
de hotel de segunda classe
antes que olhar envenenado
os condene
à avidez e à
devassa
de leitor assassino.
terça-feira, 2 de setembro de 2014
Poetas Siglo XXI Antología de Poesía
Alguns poemas meus incluídos em "Poetas Siglo XXI Antología de Poesía"
http://poetassigloveintiuno.blogspot.com.es/2014/06/jose-antonio-cavalcanti-10029.html
domingo, 31 de agosto de 2014
Trinca - parte 3
Travesseiro
![]() |
Trabalho do fotógrafo polonês Dariusz Klimczak
|
os sonhos
nunca couberam
na maciez de
algodão egípcio
nunca se sabe
quem os recolhe
nas horas mortas
antes dos lençóis
esticados da
rotina
algum olhar
treinado em
vestígios invisíveis
no entanto
verá pungente
rastro
esgarçando os
limites
do tecido
retangular
Variações Goldberg, BWV 2014 (arranjo para cordas no pescoço)
As horas-extras, amor.
O trânsito engarrafado.
Um tiroteio na Avenida Brasil.
Senti um aperto no peito.
Quase fui esfaqueado no metrô.
Juro por Nossa Senhora.
Que minha mãe caia mortinha.
Roubaram o meu pagamento.
Contando ninguém acredita.
O gerente me confundiu com assaltante.
Essas manifestações atrasam a nossa vida.
Os trens estão todos fora do horário.
Choveu muito do outro lado da cidade.
Dia tão quente que até desmaiei, amor.
Levaram o teu presente de aniversário.
Dessa vez tô falando a verdade.
Gastei quatro horas procurando meu celular.
Fui ver nosso time ser surrado no Maracanã.
Não era baranga, amor, era minha sobrinha.
Pode ligar pro Valdir, ele é testemunha.
sexta-feira, 29 de agosto de 2014
domingo, 24 de agosto de 2014
sábado, 23 de agosto de 2014
Duelo
Esgrima no escuro, outro florete
ausente, o que se golpeia
não sente
filete vermelho no meio do
peito.
Pelos cinzas chamuscados
de esquivas
invocam rubros demônios da
noite.
Ouve-se falsa respiração,
falta
de fôlego da vingança ao caírem
lâmina, lágrimas e mil
palavras
na lixeira de plástico
lilás.
Na ponta da sombra sempre
alguém sangra.
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