quinta-feira, 13 de setembro de 2012
Arte do manuseio
![]() | ||||||||
| Trabalho de Cy Twombly |
Dúctil, a palavra.
Você a pega,
atravessa
paredes
e samba.
Desmesurada
do outro lado
em outras bandas
toca o limite
da noite
e aos tropeços
toma
os nomes no colo,
espalha
telefones falsos
e olhares de puta
a homens anônimos
(ou será autômatos?)
Depois
você tomba.
Acorda
com o manuseio
de mãos e palavras
impuras
passeando nas nádegas.
Sairá pela porta
insana
com a bolsa
carregada de palavras
mortas.
sexta-feira, 7 de setembro de 2012
Os campos de concentração na planta das cidades pós-modernas (ou nova concepção arquitetônica do inferno)
Cidade sem olhos,
Tebas,
a de sete portas,
inaugura sua nova
arquitortura.
Trocou retinas humanas
por câmaras de Cérbero
em alta definição
do inferno.
População cega
não age,
ob
serva
o mundo,
tudo e todos,
agora
monumental submundo.
Fones no umbigo,
celulares ao vento
lotam de solidão as avenidas.
Foram-se os heróis,
vieram as celebridades
e uma espessa camada gosmenta
de palavras acomodadas
em poemas.
Quando voltarão o
incômodo, a turbulência e o tumulto?
quinta-feira, 6 de setembro de 2012
Eclipse do horizonte
![]() |
| Jiri Borsky |
No vasto mar naves declinam
nomes estranhos
enquanto o assombro
nomes estranhos
enquanto o assombro
sopra um alfabeto de espantos
na superfície dos sonhos.
Sem hipérbole,
sem hipérbato,
as águas batem na borda
amarga do destino
com o sal das almas náufragas.
Ilhas Afortunadas
só em Plutarco;
aqui apenas escolhos,
manchas de óleo,
sacos plásticos,
embalagens de papelão.
Nenhuma Ítaca
nas veias azuladas do oceano
sedentas de novo Titanic.
Nenhuma luz pulsando
ou coração batendo mais forte no cais.
Nada de mensagens em garrafas
ou mapas de míticas Babilônias.
Acendem-se melodias desconhecidas
em navios fantasmas
que passam a meia milha de distância.
Avisto vozes,
o horizonte
- sucata curvilínea –
se desmancha em SOS.
na superfície dos sonhos.
Sem hipérbole,
sem hipérbato,
as águas batem na borda
amarga do destino
com o sal das almas náufragas.
Ilhas Afortunadas
só em Plutarco;
aqui apenas escolhos,
manchas de óleo,
sacos plásticos,
embalagens de papelão.
Nenhuma Ítaca
nas veias azuladas do oceano
sedentas de novo Titanic.
Nenhuma luz pulsando
ou coração batendo mais forte no cais.
Nada de mensagens em garrafas
ou mapas de míticas Babilônias.
Acendem-se melodias desconhecidas
em navios fantasmas
que passam a meia milha de distância.
Avisto vozes,
o horizonte
- sucata curvilínea –
se desmancha em SOS.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
Cavalo de Troia
Um pacote na porta:
bombons,
bombons,
carta-bomba
ou morte?
Como o amor,
apareceu invisível,
imprevisto.
Colher
ou ignorar
a tempestade
não semeada?
As mãos
já sabem o veneno
de velhos presentes,
apalparam palavras
sem polpa
em papéis impuros.
Curvar o corpo
em gesto submisso?
Guardá-lo?
Abri-lo?
O papel amarelo,
emudecido,
lambe a ponta dos meus medos.
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