sábado, 3 de novembro de 2012

Efígie atlântida























Encontrei este poema de Aristeas de Proconeso, poeta grego (680 a.C. - 540 a.C.), no trem em que eu viajava para Santa Cruz.Embora não saiba grego muito bem, apelei para os espíritos e consegui fazer uma tradução razoável, embora cheia de lacunas.


1.
Não desabe
outra vez
cornija
e arquitrave
sobre os passos
de paixão indelével.

2.
Eros
em seu templo
sustente
erosão
nas colunas de carne
e carícia.

3.
Sacerdotisa
pítia
impiedosa
não profira
as sílabas
assassinas.

3.
O oráculo
de Delfos
guarde os véus
da tempestade.

4.
Pallas Athena
preserve o sangue
da coruja
em cratera de ouro
fora do alcance
de lanças macedônias.

5.
Afrodite
permita os prazeres viperinos
do cerimonial
de putas sagradas
em troca de sete virgens,
folhas de murta e romãs frescas.

6.
Dyonisos
libere a via dos excessos,
o trânsito do transe
de bacantes embriagadas
e nuas
no palco em escombros.

7.
Zeus
traiçoeiro e intrigante
lance raio fulminante
sobre as tropas espartanas
implacáveis na conversão
de tumulto em túmulo.

α 
Não desabe novamente
a não ser
sobre meu corpo
pulsando como louco
no porto de Pireu.


2 comentários:

  1. Belos "desabamentos" românticos! Que não se transformem em implosões!
    Abraço, Célia.

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