terça-feira, 14 de agosto de 2012

O amor trancado no cofre



















Não consigo parar de escrever esses poemas anacrônicos. Como vivo na contramão do meu tempo, talvez seja eterna maldição. Só pulando fora do horror para encará-lo e seguir em frente. O que é uma contradição, certamente. Talvez a anacronia seja apenas a falsa aparência, uma camisa de força necessária ao mundo hostil à apreensão lírica. De qualquer forma, sigo no meu pugilato, agora medindo distância, procurando apurar a mão para o golpe certeiro. Nós, poetas, sabemos que tudo o que buscamos na vida é um poema com a força de um nocaute. Não é o caso deste, evidentemente, pequeno jab talvez com leve intensidade.

 
O amor trancado no cofre

Cem metros à esquerda

uma decisão me espreita.

Basta uma palavra

para incêndio ou primavera.

Preso na garganta

um transatlântico
vê o horizonte
migrar para o impossível.

Duzentos metros depois

nada sobrou de nós dois.

2 comentários:

  1. Ao abrirmos o cofre... sempre haverá uma surpresa!
    [] Célia.

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  2. Ora, ora, o amor! Mais uma invenção humana...

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