sábado, 15 de setembro de 2012

Antifrases vagabundas





























α

Pele é onde o tempo digita a senha do inacessível.

β

Olhos flutuam unicórnios em esquinas mortas.

γ

Coxas acesas e deslizantes na balbúrdia de terrenos baldios sob lençóis de cambraia.

δ

Palavra interditada por sentença judicial inscrita em suas órbitas de vadia.

ε

Sou o cão da noite há nove luas algemado do outro lado da porta.

ζ

Na terceira gaveta do lado esquerdo do guarda-roupa dois seios se guardam para a chuva.

η

Navegação e naufrágio remam na mesma direção.

θ

O suicida falho descobre algo pior do que morte e vida.

ι

Não existe passado que não possa voltar para nos assombrar.

κ

Escombros e livros nunca cumprirão a promessa de construção.

λ

A Sociedade dos Eus Líricos Demenciais e Bêbados funciona na Rua da Página.

μ

Frase lapidar é o coroamento de cada lápide.

ν

Mcmorte, sanduíche de sangue, maionese e necrose.

ξ

Quando eu tiver juízo, viro um Kant.


ο



Facebook, faceboca, facebarba, facebigode.

π

Comigo a poesia ficou puta (depois que morrer, aprendo).

ρ

Govermes são górgonas gangrenadas a transformar o mundo em um inferno.

σ

Pensamento, pro fundo!


τ
 

Sou um tarado tangendo um alaúde.

υ

Sem o samba os velhos sobrados do centro do Rio de Janeiro desabavam.

φ

Intoxicado de suplementos, plenamente aditivado e pronto para o amor.

χ


Minhas pupilas me traíram, mas o prazer me condena.

ψ

Perceber é a pior forma de distração.

ω

O seguro morreu de verme.




4 comentários:

  1. Caro Zantoc, gostaria de saber se você pode me enviar sua tese sobre a Hilda Hilst. Obrigado. Edson.
    Meu email é: duarteazul@ig.com.br



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  2. Prezado Edson, você pode consultá-la na íntegra em http://www.letras.ufrj.br/ciencialit/index_banco_de_teses.htm

    Um abraço

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  3. "Caspas" são escamas de couro, couro cabeludo!

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