quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Nova cartografia urbana





















Eis o progresso.
Reparem sua impostura,
as linhas da nova arquitetura,
funcionalidade
o conforto

para poucos.


(Este é o melhor dos mundos.)

Situações extremas

abalam
editoriais e urbanistas,
mas a repaginação
das ruas,
o reforço da vigilância,
os helicópteros acima dos guetos,
as tropas estelares da polícia
e a cerca navalhada dos muros
exibem requintes de perversão
nas capas de revistas 

de revirar o estômago.

(Ainda bem que os Estados Unidos

nos salvam de terroristas
e de nós mesmos.)

A suprema delícia,

a maravilha da nova desordem
mundial
nos projetos de capitalixos
negociantes de almas,
traficantes de luas e cidades.
A leitura que importa
- a lista dos dez vigaristas
mais ricos do planeta.

(Graças ao disque-denúncia

nos livramos
de todas as pessoas diferentes.)

Vendem-se em fascículos e

realities shows,
no mesmo pacote,
condomínios luxuosos
e zonas de extermínio,
clones,
drones
e drenagem cibernética.

(Felizmente a televisão,

labirinto do olvido,
imagem e semelhança de Deus.)

As cidades

amputadas em plantas
monetárias
morrem sufocadas
de necronegócios.


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